Brasília – A Conferência Nacional de Promoção da Igualdade Racial, iniciada na tarde de ontem, é um grande mosaico de povos e culturas, que enviaram delegados de todo o país para discutir a desigualdade racial.
A delegação cigana, representada pela Associação de Preservação da Cultura Cigana, de Curitiba, reivindica direito a cidadania, que começa pelo registro dos filhos quando nascem. Por ser um povo tradicionalmente nômade, os partos são realizados por parteiras e as crianças deixam de ser registradas.
Segundo Clayton Iovanovitch, da Apreci – Associação de Preservação da Cultura Cigana, de Curitiba, o Governo do Paraná cedeu um terreno de três mil hectares onde será construído um Centro Cultural. Ele quer que espaços semelhantes em outras capitais.
Iovanovitch, destacou que, pela primeira vez, o Estado Brasileiro, reconhece e abre espaço para o povo cigano, com a realização da Conferência. “Há dois anos batemos nas portas do Governo, mas pelo menos agora temos portas para bater”, afirmou.
Os indígenas, Mozart, do povo potiguara, do litoral norte da Paraíba, disse que são necessários ajustes e defendeu o respeito à proporcionalidade na participação. A delegação indígena, por exemplo, tem oficialmente apenas 48 delegados, o que não corresponde ao universo das mais de 180 nações indígenas. Já, Álvaro, liderança do povo tucano, da Amazônia, defendeu a instalação de um Tribunal Especial para julgar os crimes contra os povos indígenas e disse que este povo tem sobrevivido graças a força de sua cultura. “A Escola que quero para os meus filhos é a da minha cultura, que aprendi com o meu pai”, afirmou.
O secretário geral da Sociedade Árabe Palestina da Grande Porto Alegre, Ebrain Shahin, disse que a Conferência é muito importante em um país de desiguais. “A Palestina precisa da solidariedade internacional para sobreviver enquanto povo”, afirmou. Há uma forte participação gaúcha na delegação palestina.
O presidente da Confederação Israelita do Brasil, Berel Aizenstein, disse que a história da comunidade judaica se confunde com a própria história do Brasil. Ele lembrou que o escrivão da esquadra de Pedro Álvares Cabral, que descobriu o Brasil, Pero Vaz de Caminha era judeu e que 20% da tripulação era composta por judeus e cristãos novos. “A comunidade judaica no Brasil, não se sente discriminada porque sempre foi acolhida”, afirmou.
Além das representações árabes, dos judeus e palestinos, e dos povos latinos, representados pela socióloga Oriana Jara, descendente dos povos Mapuches, do Chile e ativista da Ong Presença Latina, de S. Paulo, a Conferência tem representação do Movimento Nação Mestiça, nascido na região norte do país, composto por pessoas que se reivindicam simplesmente mestiças. “Nós somos herdeiros das três raças, das três culturas. Não negamos nenhuma das três”, afirma Ivan Viana do Nascimento, do Movimento “Caboco Candiru”.
Segundo Ivan, a participação da Nação Mestiça na Conferência só foi possível graças a intervenção do Ministério Público do Pará, porque a organização do evento queria colocá-los apenas no rol de “outras etnias”.

Da Redacao