Nova York, Harlem – Milhares de fãs compareceram ao teatro Apollo no coração do Harlem, na última quinta-feira (28/12) para prestar a última homenagem ao cantor James Brown, falecido às vésperas das festas de final de ano nos EUA.
O Sr. M. Norton Hall era um deles. Nascido no Caribe, mas criado no bairro do Harlem, ele tinha um motivo especial para estar em frente ao teatro Apollo. Há mais de 30 anos atrás, em 1.972, foi o promotor do cantor num show no Manhattan Center de Nova York.
Enquanto exibia o pôster com a foto do cantor, ele discursava sobre o que James Brown representava para a cultura americana, mundial e, principalmente, para a comunidade afro-americana.
Para ele, James Brown representou a perseverança que faz parte da luta dos afro-americanos neste país; foi a continuação do “showman” Cab Calloway que encantou o mundo com sua “Big Band” nos anos 30, 40 e 50.
A demora para dar o último adeus ao cantor não parecia incomodar os fãs que esperavam na fila pacientemente cantando seus sucessos musicais, entre os quais, a música que marcou as décadas de 60 e 70: “Say it Loud, I’m Black and Proud”, que pedia aos afro-americanos que sentissem orgulho de sua etnia e origem.
Outro fã que estava ali para prestar as condolências, era o Sr. Burroughs York. Nativo do Harlem, assistente social em um dos hospitais mais respeitados da cidade, o Hospital Bellevue, ele estava ali para homenagear aquele que, segundo comenta, mudou totalmente o rítmo da música popular no mundo.
O interessante é que o clima não era de tristeza, mas de alegria. Ao som de seus maiores
sucessos os fãs dançavam e conversavam a respeito do que James Brown representou não só musicalmente, mas como influencia positiva na vida de milhões de pessoas ao redor do mundo.
Havia de tudo um pouco. Camisetas com sua foto sendo vendidas a US$10.00 cada, botons
a US5.00, e uma gama enorme de cds piratas com suas músicas vendidos a US$5.00 nas calçadas por onde passaram Malcolm X, Joe Louis, Ralph Ellison, James Baldwin e tantos outros que fizeram parte da história da comunidade afro-americana no Harlem.
Depois de ficar algumas horas vendo a movimentação em frente ao Apollo, caminhei para o Metrô pensando na influencia cultural que os afro-americanos exercem, não só na América do Norte, mas no mundo todo, e repeti o refrão mais famoso de James Brown, “Say it Loud, I’m Black and Proud”.

Fã de Brown, em frente ao Teatro Apollo, onde foi velado, em Nova York. Foto: Edson Cadette