Queens, Nova York – Quando Eric Garner, em julho deste ano, engravatado por um policial, que juntamente com outros cinco esmagavam seu corpo no chão, emitiu este pedido de agonia, seu coração estava tão acelerado que ele acabou sofrendo um ataque cardíaco. Tudo isso foi visto na internet por milhões de pessoas, não somente nos EUA, mas também em todo o mundo.

Eric Garner era um morador do pequeno bairro de Staten Island. Casado e pai de 6 filhos, foi questionado várias vezes pela policia local porque continuava vendendo cigarros nas ruas do seu bairro o que, segundo as leis da cidade, constitui uma contravenção. Na época, a policia estava respondendo a reclamações de estabelecimentos comerciais de que Eric Garner estava vendendo seus produtos no terminal da balsa que faz a travessia entre Manhattan e Staten Island.

A autópsia feita pelo Instituto Médico Legal concluiu que o que aconteceu foi homicídio provocado por uma gravata – tipo de abordagem banido pela Polícia desde 1993, após a morte  de um cidadão do bairro do Bronx, após confront com a Polícia. O rapaz jogava futebol Americano na rua.

Contudo, o vídeo do confront, mais evidências colhidas nos depoimentos de 50 testemunhas pelo grande júri, entre os quais, medicos, trabalhadores na emergência médica, policiais e funcionários do hospital, juntamente com informações obtidas sobre as condições físicas de Erica Garner, sua autópsia, fotos do local, e a maneira como ele morreu, não foram suficientes para convencer o grupo a indiciar o principal acusado, o policial Daniel Pantaleo.

A decisão veio pouco mais de uma semana depois quando um grande júri em Ferguson, Missouri, não encontrou evidência criminosa no encontro entre o adolescente Michael Brown e o policial Darren Wilson, que o matou, após disparar seis tiros.

 A decisão gerou uma onda de prostestos na cidade como há muitos anos não se via. As ruas de Manhattan, de norte a sul, de leste a oeste, foram tomadas por uma multidão carregando cartazes em protestos contra a Polícia. Cartazes com as últimas palavras de Eric Garner: “Isto acaba hoje” e “Não consigo respirar” eram carregados por milhares de ativistas brancos e negros.

 A decisão do grande júri foi duramente criticada por políticos, mas estranhamente o prefeito Bill de Blasio não criticou o comissário Bill Bratton. Ao contrário, o prefeito afirmou que  Bill Bratton simbolizava mudança e reformulação no “modus operandi” da polícia.

 Segundo o prefeito o caso envolvendo Eric Garner é profundamente pessoal para ele. Em conversa recente com Barack Obama, o presidente afirmou ao prefeito que  seu filho Dante lembrava ele quando era mais jovem. Bill de Blasio afirmou que há anos, ao lado de sua esposa, vem conversando e tentando educar o adolescente Dante sobre os perigos que o rondam, principalmente, em relação à policia da cidade, que tem como obrigação a proteção dos cidadãos.

O grande debate que está se iniciando nos EUA é sobre a postura da Polícia e a sua crescente militarização, especialmente, em comunidades em que a vasta maioria da população não é branca. Esta militarização certamente tem um papel importante nas recentes mortes.

 

 

 

 

 

 

Edson Cadette