Madri/Espanha – Depois de passar mais de 49 anos preso, por pertencer ao Partido dos Panteras Negras e ao Exército de Libertação Negra, o ativista estadunidense, Jalil Muntaqim, disse ao jornalista Breno Altman, do Ópera Mundi, que o mundo não mudou. “A polícia segue matando negros desarmados. A comunidade negra segue sofrendo com a pobreza e a falta de moradia. O sistema de saúde ainda é insuficiente. Ocorreram mudanças cosméticas, mas nenhuma mudança significativa a nível institucional. Os Estados Unidos seguem sendo um país de supremacia branca”, em reportagem produzida para o site pela jornalista Camila Alvarenga, direto de Madri.

Muntaqim foi preso em 1.971 e condenado a prisão perpétua pelo suposto assassinato de dois policiais em Nova Yorque. Foi solto em outubro do ano passado, após ter seu pedido de liberdade condicional, a que tinha direito desde 1.993, negado por 14 vezes.

Segundo o ex-militante dos Panteras Negras, o movimento Black Lives Matter (Vidas Negras Importam) é, na verdade, “uma moda, uma tendência, não necessariamente um movimento”. “Tem  uma plataforma, mas não possuem uma organização unificada, não tem um impacto real além de promover consciência social. É necessário que haja uma mudança institucional, é preciso que se faça mais. Precisamos criar as condições para desafiar as instituições que diminuem as vidas negras”, acrescentou.

Para o ativista a eleição de Barack Obama em 2.009, como primeiro homem negro a presidir os EUA, e agora a eleição de Joe Biden, com Kamala Harris sendo a primeira mulher negra a ocupar a vice-presidência, não representam evoluções. “Pele negra, máscara branca. O que Obama fez pela população negra? Quais são os valores de Kamala Harris? Ela fará, e ele fez, as mesmas coisas que faria um indivíduo branco”, afirmou acrescentando, porém, considerar ter sido importante  a derrota de Trump. “Os dois (Trump e Biden) são capitalistas e imperialistas. Só que um se esconde detrás de um sorriso”, concluiu.

Veja, na íntegra, a entrevista de Muntaqim a Breno Altman.