Salvador – A ex-ministra Matilde Ribeiro (foto) era vista na tarde da última quinta-feira (17/11) circulando quase anônima nos amplos corredores do Centro de Convenções da Bahia, durante o Encontro Íbero-Americano do Ano Internacional dos Afrodescendentes.
Matilde foi a primeira ministra a ocupar o cargo, quando da criação da Secretaria Especial de Políticas de Promoção da Igualdade Racial (SEPPIR), em março de 2003, no primeiro mandato do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e caiu por ter seu nome envolvido no caso dos cartões corporativos.
Preparando-se para concluir sua tese de doutorado na PUC/São Paulo, trabalho que retomou após a saída da SEPPIR, ela hospedou-se por conta própria no Hotel Tulip In, onde também se hospedaram os membros das várias entidades da sociedade civil convidadas para o Encontro que termina neste sábado, 20 de novembro.
A ex-ministra não foi lembrada nem convidada para participar de nenhuma mesa do Encontro. “Estou por minha própria conta”, afirmou, ao ser perguntada.
Sectarismo
A imagem da ex-ministra circulando pelos corredores do Centro de Convenções e sendo cumprimentada pelos ativistas que a reconheceram, foi alvo de comentários de militantes negros, que pediram a manutenção dos seus nomes em sigilo, como “a expressão do sectarismo político da atual direção da SEPPIR, sob o comando de Luiza Bairros”.
Outra situação que causou desconforto e tensão na Esplanada foi o não convite a Fundação Palmares para a solenidade de abertura do Encontro na última quinta-feira (17). O presidente Elói Ferreira de Araújo, antecessor de Luiza Bairros no cargo, foi convidado apenas para participar como coordenador de uma mesa em que discutiu a “Contribuição africana na formação das identidades nacionais e regionais”.
A tensão SEPPIR/Fundação Palmares, segundo uma alta fonte ouvida por Afropress, chegou a Casa Civil da Presidência e teria sido a razão para a não presença na abertura do Encontro do ministro das Relações Exteriores, Antonio Patriota.

Da Redacao