S. Paulo – A ex-ministra da Igualdade Racial, Matilde Ribeiro (foto), embarcou neste domingo (06/09) para os Estados Unidos, onde permanecerá até novembro. A viagem e a permanência por três meses para estudar Inglês, se tornou possível graças ao apoio da Fundação Ford.
Matilde, que desde que saiu do Governo por causa do escândalo dos cartões corporativos, passou a viver discretamente em S. Paulo, prestando serviços de consultoria ao Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, comentou pela primeira vez para a Afropress, o episódio de sua demissão. “Fui demitida pela mídia”, afirmou.
Ela viajou a convite do Instituto de Línguas da Universidade Northampton, cidade do Condado de Hampshire em Massachusetts, e também participará de intercâmbio Acadêmico na Universidade de Massasuchets, promovido pelo Departamento de Estudos Latino-Americanos, coordenado pela pesquisadora cubana Sonia Alvarez, que já dirigiu a Fundação Ford no Brasil
Duas vezes por semana a ex-ministrada conversará com pesquisadores e estudiosos da questão racial no Brasil e nos EUA.
Tranquila
Na véspera da viagem (ela embarcou em Guarulhos, em um vôo com escala em Dallas, no Texas), a ex-ministra disse que “procura manter a vida discreta que sempre teve, antes de assumir a Secretaria Especial de Políticas de Igualdade Racial (Seppir), onde ficou de março de 2003 a fevereiro de 2008, a convite do Presidente Luis Inácio Lula da Silva.
Em um almoço com o empresário Michel Haradon, dono da Fersol, na Granja Viana, convidada para gravar depoimento para um documentário sobre Diversidade, Matilde mostrava-se tranqüila e ansiosa “para arrumar as malas da viagem”.
Na conversa informal com o editor de Afropress, jornalista Dojival Vieira, a ex-ministra não quis falar de sua passagem pelo Governo, porém, deixou claro que não guarda mágoas do Presidente Lula, por quem disse manter a mesma admiração.
“Tem uma inteligência acima da média e uma perspicácia e esperteza fora do comum”, afirmou, acrescentando nunca ter feito parte da “cozinha do Presidente”, numa alusão ao círculo de amigos mais próximos de Lula, na trajetória do Sindicato dos Metalúrgicos de S. Bernardo à Presidência da República.
Falta de defesa
O mesmo não se dá, porém, com o PT e com o Movimento Negro. A ex-ministra evita comentar episódios, ou citar nomes, porém, não esconde, quando toca no assunto da sua exoneração, “não ter sido defendida”. Ela ilustra a ausência de defesa citando uma pergunta que diz ter ouvido de uma jornalista, na época, sobre estava arrependida. “Mas, como podia estar arrependida, se fui orientada a agir como agi. Fui demitida pela mídia”, acrescenta.
Matilde comentou que mantém uma boa relação com a equipe do ministro Edson Santos, que a substituiu, porém, acrescenta que “a relação com a atual gestão da Seppir “já foi mais próxima”. Para ilustrar citou o fato de ter sido convidada para a abertura da II Conferência Nacional de Promoção da Igualdade Racial, há apenas dois dias da abertura. “Considerei que não devia ir”.
Amigos
Em compensação disse ter ficado comovida com o convite da diretoria do Sindicato dos Metalúrgicos de S. Bernardo, que a convidaram a fazer uma consultoria para a entidade. “Venha prá cá, me disseram”, e lembrou a homenagem que recebeu na sua despedida na sexta-feira (04/09), quando velhos e novos amigos se reuniram para lhe desejar boa sorte na viagem. “Quando agente está fora do Poder fica conhecendo os verdadeiros amigos”, acrescenta.
A ex-ministra afirmou que não tem planos para o futuro político e, embora admita que seu nome é cogitado para integrar a direção estadual do PT pelo Diretório de Santo André, descarta a possibilidade de se lançar candidata a deputada estadual nas eleições do ano que vem. “Isso não está nos meus planos. Penso apenas em concluir meu Doutorado e seguir em frente”, concluiu.

Da Redacao