Recife/PE – A ex-ministra Matilde Ribeiro (foto) enfrenta neste fim de semana (26 e 27/05), em Recife, Pernambuco, a mais dura batalha política desde que deixou a Secretaria Especial de Políticas de Promoção da Igualdade Racial, em fevereiro de 2.009, por causa do envolvimento no caso dos cartões corporativos.
Ela disputa o cargo de Secretária Nacional de Combate ao Racismo do PT com a atual secretária Cida Abreu, do Rio, José de Oliveira, de Pernambuco, e Ivonei Pires, da Bahia.
Matilde, Cida Abreu e José de Oliveira fazem parte da corrente Construindo um Novo Brasil (CNB), o chamado campo majoritário do PT, porém, a ex-ministra não tem o apoio dos cardeais do partido que fecharam com Cida Abreu, no cargo há cinco anos. Ivonei é da Corrente Democracia Socialista, minoritária.
Desvantagem
Matilde entra na disputa – a primeira desde que deixou a Esplanada – em situação desfavorável, porque a direção nacional anulou o Encontro dos petistas negros de S. Paulo. Os prognósticos de pessoas bem informadas sobre as chances dos candidatos, dão a ex-ministra apenas 50 votos garantidos, ou 80, numa avaliação mais otimista.
Só S. Paulo teria 42 delegados dos 295 com direito a voto. Segundo analistas que acompanham a os bastidores da disputa, dos 42 delegados paulistas Matilde teria pelo menos 40, e a anulação do encontro, a coloca em situação de desvantagem numa eleição em que a atual Secretária Cida Abreu é franca favorita.
As chances da ex-ministra, porém, aumentam, caso os delegados decidam por realizar um segundo turno, o que ainda não é certo.
O Encontro Nacional da Secretaria de Combate ao Racismo do PT acontece neste sábado e domingo, no Hotel Jangadeiro, na praia de Boa Viagem, Recife, com a presença de lideranças partidárias de Pernambuco, entre as quais o senador Humberto Costa. Dos 26 Estados da Federação, apenas S. Paulo, Paraná e Tocantins não terão delegados.
Blindagem
O apoio a Cida Abreu por parte de lideranças nacionais do Partido, como Paulo Frateschi e João Vacari, segundo analistas que acompanham a disputa, seria uma forma de blindar a atual ministra Luiza Bairros que, depois de ter a continuidade no cargo ameaçada por atuação considerada apagada, acabou sendo mantida pela Presidente Dilma Rousseff por falta de alternativas.
Matilde na Secretaria Nacional do Setorial de combate ao Racismo do PT seria, naturalmente, uma voz que passaria a ser ouvida, o mesmo ocorrendo com o grupo de lideranças negras de S. Paulo alijado da Esplanada com a sua saída da SEPPIR.
Por outro lado, eventual derrota na disputa significará duro golpe numa das mais importantes lideranças femininas do movimento negro brasileiro, a primeira ministra da SEPPIR, responsável pela estruturação da própria Secretaria vinculada à Presidência da República e pelas primeiras ações e políticas públicas da igualdade racial no âmbito do Governo.

Da Redacao