Brasília – O ex-ministro chefe da SEPPIR, deputado Edson Santos, repassou o cargo para o seu Secretário Adjunto, Elói Ferreira de Araújo, nesta quinta-feira (1º/abril), dizendo-se com a sensação de missão cumprida e disposto a avaliar a hipótese de voltar, se vier a ser convidado pela ministra Dilma Rousseff, no caso da ex-ministra chefe da Casa Civil – a candidata do PT – vir a ser eleita para a Presidência da República.
“Essa é uma coisa que deve partir dela, quando for compor o primeiro escalão do seu Governo no caso de vir a ser eleita, como todos esperamos. Se considerar adequado e se vier a ser convidado, vamos avaliar com muito carinho”, afirmou, em entrevista à Afropress.
Segundo o ministro que dirigiu a cerimônia de posse de Elói no Salão Negro do Ministério da Justiça, com a participação de representações de países africanos como Camarões, Sudão e Marrocos, depois de dois anos de gestão “a SEPPIR está no patamar em que deveria estar”.
“Não vou dizer que melhor do que encontrei, mas com certeza no patamar em que deveria estar para aqueles que combatem por uma sociedade mais justa. Um órgão dirigido por negros e que tem maioria de negros em sua composição é preciso que dê certo”, afirmou, ao ser perguntado se a SEPPIR estaria melhor agora do que quando assumiu, após a crise responsável pela queda da ex-ministra Matilde Ribeiro, envolvida no escândalo dos cartões corporativos.
Balanço
O ministro, que passa agora a se dedicar a campanha pela reeleição à deputado federal pelo Rio, evitou fazer um balanço das ações de sua gestão de dois anos. “Essa questão são as pessoas que vão avaliar. O fato é que tudo transcorreu dentro de uma ação normal. Conseguimos conduzir o processo na Seppir sem grandes traumas nas relações pessoais e políticas e de acordo com a orientação do Presidente da República”, acrescentou, numa alusão à polêmica levantada por lideranças negras petistas, descontentes pelo fato de não terem sido consultadas sobre o nome escolhido para completar os 9 meses de gestão.
Manifestações de lideranças das Secretarias de Combate ao Racismo do PT de vários Estados, manifestaram, por mais de uma vez, sua insatisfação e fizeram chegar ao Palácio, em cartas ao chefe de gabinete do Presidente Lula, Gilberto Carvalho, o descontentamento e a preferência pelo Subsecretário de Ações Afirmativas, Martvs Chagas. Martvs continuará no cargo.
O ministro se disse tranqüilo quanto a continuidade das ações que deverão ser executadas nos próximos meses pelo seu substituto. “Agente sempre trabalhou muito junto. Não tenho nenhuma preocupação. É claro que cada um tem o seu estilo e ele (Elói) tem o estilo dele”, finalizou.
Lágrimas
Na solenidade de transmissão do cargo, o novo ministro não conseguiu conter as lágrimas ao lembrar sua trajetória de filho de lavradores. “Temos muito o que fazer”, assinalou, lembrando que entre as prioridades estão a conclusão das obras da ponte que beneficiará a comunidade quilombola de Ivaporunduva, em S. Paulo – um pedido pessoal do Presidente Luiz Inácio Lula da Silva, e a aprovação do Estatuto da Igualdade Racial que foi novamente engavetado no Senado, por iniciativa do seu relator, o senador goiano, Demóstenes Torres.
Para Elói , o Estatuto é peça chave e precisa ser aprovado o mais breve possível no Senado. “Quando isso acontecer, o Brasil vai ter o primeiro grande marco jurídico desde 1888 [Lei Áurea]”, ressaltou.
O novo e o ex-ministro foram saudados durante a solenidade por representantes diplomáticos de países africanos, parlamentares e lideranças do Movimento Negro e pelo presidente da Fundação Cultural Palmares, Zulu Araújo.
Secretário Adjunto
Durante a posse, o novo ministro anunciou que o sociólogo João Carlos Nogueira, de Florianópolis, ex-integrante da equipe da ministra Matilde Ribeiro, será o novo Secretário-Adjunto, conforme Afropress havia antecipado no final da semana passada.
Nogueira volta a SEPPIR, com o apoio do ex-ministro Edson Santos e respaldo da senadora Ideli Salvatti, também do PT de Santa Catarina. Seu retorno foi saudado pelo PT catarinense que destacou o fato de que “será o vice-ministro.
O novo Secretário Adjunto atuou no movimento sindical e foi um dos fundadores do Núcleo de Estudos Negros (NEN) e é um dos dirigentes da Coordenação Nacional de entidades Negras (CONEN), articulação de lideranças ligadas ao Partido dos Trabalhadores, além de membro permanente do Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social (CDES).

Da Redacao