Campinas – Uma carta aberta lançada pelo professor Carlos Alberto Vieira Soares, o Carlos Kiss, ativista negro e líder do Grupo Revolução e Arte de Campinas, com críticas à conselheira Sueli Aparecida Gonçalves, do Conselho Estadual, acabou provocando sua exclusão do Conselho da Comunidade Negra de Campinas e ameaça virar caso de Polícia. Sueli deu queixa à Polícia por ter se sentido ofendida na sua honra.
Na Carta Aberta, intitulada “Representação no Conselho Estadual é Vergonhosa”, postada nesta Afropress, Kiss faz críticas a forma como a presidente Elisa Lucas conduziu a eleição do Conselho Estadual e nega representatividade a Sueli para representar os negros de Campinas no Conselho. “Fui excluído por ter feito críticas na Carta Aberta”.
Ele acusa o advogado Eginaldo Marcos Honório, também Conselho de, junto com Sueli, ter tramado sua exclusão para o qual foi indicado pela entidade que lidera – o Grupo Revolução Artes e Educação -, em reunião no dia 18 de junho, sem que o assunto sequer constasse da pauta da reunião.”É um completo absurdo o que fizeram. Não justificaram o motivo da minha exclusão e só disseram que a Carta Aberta ofendeu a honra. Acontece que não ofendi honra de ninguém, apenas fiz uso do meu direito à liberdade de expressão para fazer críticas que considero justas”, afirma Kiss, prometendo que, esgotados os recursos administrativos, entrará com medida no Judiciário para reverter a decisão.
Eginaldo acusa Kiss de usar de polêmica para se manter em evidência. “O autor das matérias ofensivas a outros conselheiros, por sua vez, é useiro e vezeiro em agir de tal modo. Lamentavelmente encontramos junto ao Movimento pessoas que trocam o verbo “construir” por “destruir”, afirma. Ele acrescentou que a exclusão de Kiss foi decidida pela maioria dos conselheiros, ratificada na reunião de junho, com amplo direito de defesa, e que Sueli, está tomando providências inclusive judiciais, por ter se sentido ofendida.
“Quem ocupa função de conselheiro deve, em primeiro lugar, dar exemplos de conduta elevada o que não ocorreu na hipótese, notadamente pelo fato de que o cidadão intitulando-se conselheiro, de início coloca em dúvida o processo de eleição dos Conselheiros Estaduais, homologada pelo Governador que conferiu posse aos eleitos; ofende e constrange a Conselheira Sueli Aparecida Gonçalves, contra a qual nutre animosidade gratuita há longo tempo”, acrescenta, em defesa de Sueli, que segundo ele, “pode ser atacada por quem quer seja, notadamente por aqueles sem escrúpulos”. Sueli não foi localizada pela Afropress para falar sobre o caso.
Carta
Na “Carta”, Kiss critica a indicação de Sueli para representar a cidade como conselheira do Conselho da Comunidade Negra do Estado. “Nunca vi a senhora Sueli em nossas lutas. Ela tem uma grande dificuldade em discutir nossas questões. É vergonhoso. Quero ser representado por um negro ou negra com história de luta, da nossa comunidade, de tradição e não por indicações de partidos e governos”, afirma.
“Agora qualquer um que aparece nos representa. A sra Sueli não me representa. Já disse isso no conselho, na frente desta senhora. É vergonhoso. E mais: vergonhoso é se propor a isso. Ser representante sem ser. Se tiver que terminar em Tribunal, que seja. Mas vamos parar com isso de uma vez”, acrescentava.
Ele também afirma que Eginaldo, embora seja conselheiro em Campinas não mora na cidade, e que se apresentou na reunião como representante do Conselho Estadual. ” Eu pergunto: quem votou no Eginaldo para conselheiro de Campinas ou Estadual? Intervenção do Conselho Estadual? É absurdo”, conclui.

Da Redacao