Fortaleza – O caso de racismo praticado pelo Supermercado Extra, do Grupo Pão de Açúcar, contra o professor Paulo Roberto de Souza Silva e sua companheira Isabel Cristina Faustino, vai mesmo parar na Justiça.
A Ação de indenização contra o Grupo Pão de Açúcar deve ser impetrada nos próximos dias na Justiça local. Paulo Roberto disse que se reunirá nesta quarta-feira com advogados para discutir os detalhes da Ação. Também será discutido se, além do Extra, o Estado também não deve ser processado, uma vez que agentes da Polícia Militar de Fortaleza praticaram constrangimento ilegal.
O caso de racismo ocorreu no dia 04 de agosto, quando Paulo Roberto e sua companheira faziam compras no supermercado do bairro Montese. Na hora de pagar, o comprovante da autorização da compra apresentou dígitos diferentes do seu cartão de crédito. Sem ter nenhuma chance de explicações, a direção do Extra chamou a Polícia e ambos foram detidos por estelionato. Submetidos à violência chegaram a ser levados à Delegacia, onde ficou provado que nada deviam.
No dia 18 de agosto, diante da repercussão do caso nos jornais locais, o professor foi chamado pela direção do Extra para falar do assunto. Advogados que o acompanharam propuseram um acordo nas seguintes condições: indenização em valor a ser definido; uma campanha de combate ao racismo patrocinada pelo Extra; e uma carta de retratação pública.
Logo depois de um ato realizado no início deste mês, o Supermercado chamou uma reunião para discutir o assunto. Segundo o professor na reunião, o Extra tentou enrolar, negando a discriminação costumava ajudar projetos sociais, mas que não faria nenhuma retratação nem patrocinaria qualquer campanha de combate ao racismo.
Na reunião o advogado do Extra, Evangelista Belém, cometeu um ato falho. Ao negar ter havido discriminação contra Paulo Roberto, disse que isso era impossível, uma vez que o gerente do supermercado era também negro. E acrescentou: “mas, um preto ético…”.
Ao final o Extra chegou a oferecer como recompensa pelo “mal entendido” uma ajuda de R$ 10 mil para o professor e sua companheira, oferta que foi naturalmente recusada. “Nos fizeram uma proposta ridícula, tentando nos humilhar. Diante disso, não nos resta alternativa senão entrar com a Ação da Justiça”, afirmou.

Da Redacao