Vejamos: ao não se pronunciar a professora Elisa deixa transparecer que pode não estar – de fato – comprometida com o povo negro paulista. Seria então um caso crônico de submissão ao patronato branco do governador José Serra? Só ela poderia dizer.
Ao calar-se ela parece concordar com o governador que chamou recentemente, em uma artigo na Folha de São Paulo, de “prática odiosa” a luta por igualdade do povo negro brasileiro. E, para piorar, seu silêncio também corrobora a posição infeliz do Sr. José Henrique Reis Lobo, secretário de Relações Institucionais do Estado de São Paulo que afirmou que “até simpatizava com as Ações Afirmativas, porém, tinha consciência que isso aconteceria, quem sabe, nos próximo 500 anos”.
É Presidente, precisamos de sua fala, de seu posicionamento. Precisamos que você combata nossos algozes. Não podemos, Presidente, sequer imaginar que o seu “não falar” seja sinônimo de subserviência.
Queremos, Presidente, que a assertiva do Sr. Paulo César Pereira de Oliveira (diretor do Centro Cultural Orunmilá de Ribeirão Preto) que chamou o Conselho de “aparador de demandas” do governo estadual seja um grande equívoco.
Mas parece que não. De fato o equívoco parece ser seu, Presidente.
O seu conveniente e instantâneo mutismo quer, provavelmente, demonstrar de que lado a Senhora está. E infelizmente, a forte impressão que me assalta, é que não é do lado do povo negro.
E antes que alguém venha a alegar que a recente licença médica da Presidente tem sido um impedimento para sua manifestação, vale lembrar que antes de seu afastamento houve tempo – e muito – para que a mesma se posicionasse e ela preferiu ignorar: a imprensa, seus companheiros de conselho e o povo negro de São Paulo.
Lamentável!

Romilson de Castro Madeira