S. Paulo – A falta de médicos em uma aldeia da nação Guarani – a Tekoa Pyau -, em Jaraguá, zona Oeste de São Paulo, provocou a morte de três crianças indígenas – uma de um ano e oito meses e de dois bebês ainda na barriga das mães. Os três foram enterrados ontem sexta-feira, dia 14/10, numa aldeia da Zona Sul.
As mortes aconteceram a poucos quilômetros da Avenida Paulista, o principal centro financeiro do país e da América Latina, e também do Palácio dos Bandeirantes, sede de Governo do mais importante estado da Federação.
Historiadores estimam que, desde a chegada dos colonizadores portugueses, cerca de 6 milhões de indígenas foram mortos em variadas circunstâncias, o que explica a redução dessas populações de 6,5 milhões, em 1.500, para os cerca de 350 mil apontados no mais recente Censo do IBGE. Só este ano, 20 crianças indígenas já morreram de fome em Dourados, Mato Grosso, por falta de assistência da Fundação Nacional de Saúde (Funasa).
A aldeia em Jaraguá era atendida por médicos graças a um convênio entre a Prefeitura e a Universidade Federal de S. Paulo – Unifesp. O convênio acabou porque a Unifesp parou de receber e deixou de mandar os médicos à comunidade indígena, que vive em situação precária e sem saneamento básico. Atualmente, apenas uma enfermeira da Funasa faz visitas periódicas.
A primeira morte aconteceu na segunda-feira. A menina Manuela Gabriel Lima morreu de broncopneumonia. Segundo a mãe, Eliana Vidal, a menina tinha passado mal na semana anterior, foi levada ao Pronto Socorro, porém, os médicos que a atenderam a mandaram de volta para casa.
Nos outros dois casos, Creuza Martim da Silva e Joana Soares – respectivamente no nono e oitavo mês de gravidez – perderam os filhos. Elas só descobriram que os bebês estavam mortos no Hospital. Joana continua internada na Maternidade Cachoeirinha.
Segundo a Funasa, órgão do Governo Federal responsável pela saúde dos indígenas, o dinheiro para a manutenção do convênio com a Unifesp parou de ser repassado porque a Prefeitura tem pendências na prestação de contas. Nem a Funasa nem a Secretaria, entretanto, explicam qual o problema com a documentação. A Funasa diz que pode ter sido ausência de uma nota fiscal na prestação de contas.
A Secretaria de Saúde, por sua vez, disse numa nota que retomará o convênio e que o atendimento será restabelecido nesta segunda-feira.

Da Redacao