Rio – A agência do Banco Itaú, na Av. Rio Branco com Nilo Peçanha, centro do Rio, não funcionou nesta segunda-feira (22/01), das 8h às 16h, paralisada pelo protesto promovido por lideranças negras, populares e pela família de Jonas Eduardo Santos de Souza, morto no dia 22 de dezembro, no interior da agência, por um segurança da instituição.
A família de Jonas – irmãos e pais – compareceu com camisetas com sua foto para pedir Justiça. Em um carro de som cedido pelo Sindicato dos Bancários falaram representantes do Movimento Negro Unificado, da Pastoral do Negro, da central sindical CONLUTAS, do Centro de Apoio às Populações Marginalizadas (CEAP) e do PSTU.
O assassino Natalício Marins, que é funcionário da Protege, está preso e, no interrogatório no 2º Tribunal do Júri do Rio, na semana passada, alegou que o tiro foi acidental.
Josias, um dos irmãos, comentou assim para a Afropress o sentimento da família ao falar sobre a participação no protesto e a possibilidade de ampliação da manifestação para outras agências: “se cada negro se sentir um pouco na pele da família deste negro, que um dia sai de casa pedindo a benção de sua mãe e quando chega em uma agência bancária lhe é tirada a vida, aí sim, vamos saber se é possível ou não fechar uma agência em cada Estado”.
Segundo o advogado Humberto Adami, diretor da Federação Nacional dos Advogados e presidente do Instituto de Advocacia Ambiental e Racial, durante a manifestação foi denunciado o racismo existente na operação das portas giratórias por seguranças despreparados. Durante o ato, um rapaz chamado Jorge denunciou ter sofrido ameaças por parte do segurança de uma agência da Caixa Econômica Federal, que fica próxima a agência do Itaú.
Jonas era cliente do Itaú, havia 10 anos e foi morto com um tiro no peito, depois de discutir com o segurança por ter ficado retido na porta giratória.
Adami lembrou que, ao ser interrogado, o assassino de Jonas admitiu que teve um curso de formação de apenas duas semanas, e apenas um dia para a prática de defesa pessoal.
Novo protesto acontecerá em 30 dias, quando se pretende que seja ampliado, com a paralisação de, pelo menos, uma agência por Estado.
Adami disse que também está sendo cogitada uma representação coletiva junto ao Ministério Público para apuração de fatos como a prática de racismo na operação das portas giratórias que, segundo se sabe, acontecem todos os dias. Também uma ação civil pública está sendo preparada pela conduta do Itaú no episódio.
Nesta sexta-feira (26/01), haverá reunião na Comissão de Direitos Humanos e Minorias da Câmara dos Deputados, em Brasília, com a Febraban para a continuidade da discussão sobre o Mapa da Diversidade. O Mapa é uma proposta da Febraban depois que o Ministério Público Federal do Trabalho entrou com ação contra os cinco maiores bancos privados – HSBC, Itaú, Unibanco, Bradesco, ABN AMRO – para que aumentem a participação de negros e negras nos seus quadros.
Veja a Carta da Família – A Verdade sobre a morte do empresário Jonas
Nós da família de Jonas Eduardo, que foi assassinado dentro do banco Itaú por um segurança despreparado, gostaríamos, através deste manifesto, primeiramente de mostrar toda a verdade que não foi noticiada ou distorcida.
Em segundo lugar, pedimos apoio a todos no intuito de que seja feita justiça para que fatos como esse não ocorram com você ou com um ente querido seu. Vamos repetir o que já foi noticiado, por que nem todos tiveram acesso a informação veiculada pela mídia: o empresário Jonas Eduardo ao tentar entrar no banco Itaú da Avenida Rio Branco (esquina com o Nilo Peçanha) foi barrado pela porta giratória, sendo obrigado a retirar todos os objetos que portava. Ainda assim, o segurança de nome Natalício não o deixou entrar, pedindo para ele retirar o cinto. Jonas, mesmo aborrecido, obedeceu, mas só conseguiu entrar após mostrar o cartão do banco a pedido do gerente, mesmo sendo cliente desta mesma unidade há dez anos. Após sua entrada, houve uma discussão verbal, quando repentinamente o segurança sacou sua arma e atirou a queima roupa no peito de Jonas, que não teve nem chance de reação e morreu na hora. Segundo o delegado que cuidou do caso, o assassino foi retirado da agência sem algemas por ter chamado os bombeiros e se rendido e foi solto após o depoimento. Abaixo segue alguns fatos e questionamentos feitos por nós da família e amigos:
1. Realmente é necessário você ser humilhado nessas portas giratórias dos bancos, sendo constrangido a retirar todos seus objetos e levar mais de dez minutos para você entrar em uma instituição, que se propõe realizar um serviço para você? 2. Qual a função de um gerente, que ao reconhecer uma pessoa como cliente do banco há dez anos, não intervém para diminuir seu constrangimento e talvez evitar o pior?
3. Qual é a responsabilidade de uma instituição sobre os atos de seus subordinados (quando em serviço)? Será que ela não é co-responsável?
4. Como o banco pode explicar, que, mesmo depois de reclamações constantes quanto ao comportamento deste vigilante?? .Ÿd????A ?Nós da família de Jonas Eduardo, que foi assassinado dentro do banco Itaú por um segurança despreparado, go, o mesmo continuou trabalhando diretamente com o público?
5. Em relação às investigações: se o assassino alega ter sido agredido fisicamente, por que a vítima não foi submetida a nenhum exame de corpo delito, lembrando o fato de que testemunhas, como por exemplo o engenheiro Alexandre Knocish, que estava logo atrás de Jonas, não viram nenhuma luta corporal?
6. Por que chamar a SAMU, se o correto era chamar os bombeiros, já que Jonas já estava morto? O corpo só não foi retirado da agência, por que um policial conhecido da vítima não deixou. Isso demonstra que o BANCO ITAÚ quis se livrar do “problema”.
7. Por que todos os clientes foram retirados da agência, se os mesmos seriam importantes testemunhas para o esclarecimento dos fatos?
8. Por que após dez minutos do ocorrido, os irmãos da vítima, Josias e Júlio foram impedidos de entrar na agência por trinta minutos, só conseguindo graças à manifestação da população?
9, Por que o banco estava com suas luzes desligadas? Será que o BANCO
ITAÚ estava tentando esconder alguma coisa?
10. Se o vigilante se entregou, como está sendo dito, por que ele não estava fardado e saiu à paisana do banco, escoltado por policiais também a paisana e sem algemas? 11. Quem será o grande protetor do ASSASSINO Natalicio e mesmo cometendo um crime bárbaro continua solto? Será a PROTEGE ou o BANCO ITAÚ?
12. O delegado Mário Arruda está alegando que o ASSASSINO se entregou, mas na verdade ele não tinha como sair do banco, já que logo depois do ocorrido uma grande quantidade de pessoas se aglomerou na frente da agência, e caso ele saísse com certeza seria linchado.
Tudo que nós queremos é que seja feita justiça e que os culpados sejam responsabilizados e paguem pelo crime que foi cometido. Falamos de culpados, pois não acreditamos que apenas o ASSASSINO Natalício da empresa PROTEGE seja culpado, mas também sua empresa que é responsável pelos seus funcionários e o BANCO ITAÚ que mesmo sabendo do comportamento irregular deste segurança, o manteve em contato com o público. Antes de qualquer coisa nós queremos a prisão imediata deste ASSASSINO, e não iremos descansar enquanto todos os responsáveis não forem julgados e condenados. Pedimos ajuda na divulgação deste manifesto, pois, acreditamos que nada é mais forte do que a união da população. Abaixo segue nossos contatos, inclusive comunidade no Orkut, caso haja qualquer dúvida.

Da Redacao