Rio – No dia em que, se estivesse vivo, o jornaleiro Jonas Eduardo Santos de Souza, estaria completando 33 anos, a família lançou uma Carta/Manifesto protestando pela absolvição do assassino e exigindo Justiça. Jonas, que era negro, foi morto por um segurança de uma agência do banco Itaú, às vésperas do Natal do ano passado, depois de ser barrado e submetido à humilhações na porta giratória. O crime aconteceu no dia 22 de dezembro.
No dia 18 de julho passado, levado a julgamento o assassino, o segurança Natalício Martins, foi absolvido pelo Tribunal do Júri e voltou pra casa.
Na “Carta ao Brasil” (veja matéria ao lado) redigida como se fora do próprio punho de Jonas, com formato de e-mail e cópias encaminhadas ao banco Itaú e a a empresa de segurança Protege – a família relata a vida difícil, os bens que não possuía e diz que o que mais doeu foi a segunda morte, decretada com absolvição do assassino. “Esse julgamento, na verdade, me julgou e me decretou essa segunda morte, que, creiam, é o que mais me dói porque não matam com isso só a mim que já estou do lado de cá. Matam a esperança de todas as pessoas que ainda acreditam na Justiça. Se essa morte vier a ser confirmada será a descrença total na Justiça desse país, já bastante abalada, como se sabe.”, afirma a “Carta”.
O promotor Paulo Rangel, da 1ª Vara Criminal do Rio, que denunciou o segurança e demonstrou que o crime foi praticado por motivo fútil, já entrou com pedido de anulação do julgamento e acredita que o Tribunal de Justiça reavaliará o caso.
A família continua abalada. Neste domingo (26/08), véspera do aniversário de Jonas, segundo Magna, uma das quatro irmãs, foi um dia difícil, porque a mãe, dona Manoela, sempre faz uma surpresa no aniversário dos filhos, e Jonas, era o mais ansioso para saber que surpresa teria no seu. “Não terei meu jantar surpresa feito pela minha querida mãe, que tem por hábito fazer para todos os filhos. Não poderei mais comer do meu bolo de chocolate com recheio de coco e todos aqueles morangos que ela colocava em cima, junto com as minhas trinta e três velas”, relembram os familiares na “Carta.”
“É muito doído. Ele não vai voltar pra gente. Nós sempre tivemos um convívio familiar muito grande. Dói muito”, afirmou Magna. Josué, outro irmão, disse que a impunidade é o que mais dói.

Da Redacao