Gurupi/TO – A Justiça de Gurupi – a terceira maior cidade do Tocantins – deverá anunciar, até junho, a sentença dos estudantes João Vitor Alves de Castro, 21 anos, e Guilherme Augusto Renovato dos Santos, 23 anos, acusados de agressão racista contra a médica angolana Arminda Mateus Vandunen. O crime ocorreu em dezembro de 2006 e o processo por injúria racial tramita na 1ª Vara Criminal da cidade.
Os réus são alunos do Curso de Odontologia da Universidade Regional de Gurupi (Unirg) e pertencem à famílias influentes na cidade. São acusados do crime de injúria racial, com base nos artigos 140 e 141 do Código Penal. Se condenados, podem pegar penas que variam de 2 a 3 anos de cadeia.
O processo está em fase de alegações finais. As testemunhas de defesa e de acusação já foram ouvidas e o Ministério Público pediu a condenação. Também tramita na Justiça de Gurupi, uma ação na área cível, que pede a responsabilização dos réus por danos à imagem da médica e de sua família.
Falsidade ideológica
Neste domingo (20/04), o marido da médica, o estudante de Direito, Osvaldo Vandunen, denunciou as pressões que a família vem sofrendo por ter levado o caso à Justiça. Entre essas pressões, ele contou que, na semana passada, a advogada Gleivia de Oliveira Dantas(OAB/TO 2246), dizendo-se portadora de procuração de Arminda, protocolou pedido de informações junto ao Secretário de Saúde da cidade, Fortunato Soares, pedindo informações sobre a ficha funcional da médica. A família não conhece a advogada e jamais lhe passou procuração, o que configura um típico caso de falsidade ideológica.
“Tal pedido de informações, deveria ser endereçado por nossos oponentes ao Juíz que por sua vez determinaria a secretaria que fornecesse as informações.Não temos nada a esconder, até mesmo porquê, a vida profissional e financeira da minha esposa está exposta no processo e fartamente comprovada por documentos – holerites, declaração anual de Imposto de Renda e outros mais. A forma torpe e criminosa conforme agem os nossos adversários diz bem contra quem estamos litigando”, afirma Vandunen.
Vandunen disse que representará contra a advogada por falsidade ideológica junto à OAB de Gurupi, a Estadual e a OAB nacional pedindo providências e fará formalmente a denúncia à imprensa local. “Eu não vou fugir. Temo pela minha segurança e integridade física da minha família, mas vou enfrentar. Vamos iniciar mais uma batalha nesta guerra, que é longa sem sombra de dúvidas”, concluiu. `
Só para lembrar
O caso de racismo ocorreu no dia 10 de dezembro de 2006, quando a médica angolana – desde 1.993, no Brasil – dava plantão no Hospital Municipal da cidade. Um grupo de estudantes, filhos de famílias influentes, que acompanhavam um colega que passava mal por excesso de álcool, descontentes por terem sido atendidos por uma médica negra, passaram a ofendê-la. “Negra macaca, esse remédio vai matar o nosso amigo. Você nem tem cor para saber o que está fazendo. Onde está o teu CRM? Você nem é médica”. Alguns tentaram agredi-la fisicamente.
Osvaldo Vandunen disse que a mulher chegou chorando em casa. O caso ganhou repercussão e visibilidade porque os dois acusados chegaram a ficar presos na Delegacia da cidade por 72 horas, sendo depois liberados mediante o pagamento de fiança. “Continuamos confiantes na Justiça e acreditamos na condenação”, conclui Vandunen.

Da Redacao