Soube agora do falecimento do professor. Conheci Joel Rufino em 1985 na cidade de Uberaba (MG) num grande encontro do Movimento Negro Brasileiro. Lá estavam ativistas de todo o Brasil com a missão de discutir, já no fim da Ditadura Militar, um posicionamento nosso em relação àquele momento pré-constituinte que marcou a história recente do Brasil.

Coube a ele e a mim sintetizar o documento a ser encaminhado a Tancredo Neves. Uma produção de centenas de pessoas… A versão final, acabou servindo como insumo para a futura criação da Fundação Palmares que Joel Rufino viria a presidir mais de 10 anos depois. Deve-se a esse intelectual legítimo do Movimento Negro Brasileiro importantes trabalhos.

Leve, comedido e sofisticado em suas inferências. Produtivo e pertinente. O seu trabalho na Fundação Palmares na estruturação da metodologia da titulação dos Quilombos foi fundamental para tudo que se vem fazendo desde então. Éramos amigos, mas não dispúnhamos de maior intimidade. Meu último contato com Joel Rufino foi no ano passado, quando já meio adoecido, o convenci a participar como professor de História da África, no projeto que o Fundo Baobá desenvolveu para o Centro Cultural José Bonifácio na cidade do Rio de Janeiro.

Trata-se de projeto precioso a ser empreendido ainda nesse ano. Na ocasião negou participar, alegando problemas de saúde, mas face ao meu empenho, cedeu afirmando.. "se você está à frente, Helio, eu confio"… Contei essa história para muita gente, feliz com a sua anuência e com a confiança que me distinguiu. 

Como creio que a morte não interrompe a vida, sei que Joel Rufino prosseguirá seu trabalho no mundo espiritual. Lamento de coração não ter tido ao longo da vida mais contato com ele, sempre leve, educado, mas firme em suas convicções. 

Deixo minhas condolências à sua família, mas estendo esse pesar à sua família ampliada que somos todos nós ativistas de sua geração. Seu contributo à causa do negro brasileiro foi definitivo para muitas de nossas conquistas.

Valeu amigo! Paz.

 

Hélio Santos