Pariquera-Açú/SP – As comunidades quilombolas do Vale do Ribeira são as que mais estão sofrendo com as enchentes da semana passada, que devastaram a região, no início deste mês, segundo o balanço feito na última terça-feira por técnicos do Estado, numa reunião em que estiveram presentes as secretarias da Justiça e da Agricultura, respectivamente, Eloisa Arruda e Monika Bergamaschi, e o coordenador de Políticas para a População Negra e Indígena, advogado Antonio Carlos Arruda (foto).
A reunião aconteceu na sede da CEDAVAL (Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado) e também teve a participação do diretor executivo da Fundação Itesp, Marco Aurélio Pilla Souza.
Segundo Arruda, no Quilombo do Sapatu, 30 moradias foram atingidas pelas águas, no Quilombo André Lopes, 14 e no Quilombo do Ivaporunduva, 24 foram inundadas. Nos Quilombos do Galvão, Nhunguara, Piririca, Jurumirim, Porto Velho e S. Pedro as casas também foram inundadas e os quilombolas perderam praticamente tudo.
Arruda disse que as famílias quilombolas não são atendidas pela Sabesp e as chuvas prejudicaram o sistema de captação de água, deixando comunidades sem acesso.
“Como medida emergencial, efetuar por meio da Sabesp, Daee, Exército, ou, outro órgão o restabelecimento emergencial do sistema para as comunidades da zona rural. No caso das famílias atingidas na área urbana, solicitar a isenção da tarifa por 60 dias. No caso do fornecimento de energia, solicitar à concessionária a isenção da tarifa para todas as residências afetadas por igual período de 60 dias. Após esse período, aplicar imediatamente o benefício da Tarifa Social de Energia Elétrica Quilombola para as famílias quilombolas, conforme legislação de 2002”, afirmou.
Ele acrescentou que as estradas de acesso também estão precisando de manutenções e muitas famílias estão desabrigadas em barracões, igrejas, casas de vizinhos e parentes.
“É necessário apoio às famílias desabrigadas principalmente quanto à alimentação devido às perdas das lavouras de fonte de renda (banana e hortaliças) e subsistência. As lideranças sugerem que, se houver por parte do Governo do Estado e/ou Federal o aporte de recursos, que sejam administrados pela Fundação Itesp, que conhece melhor a realidade das famílias Quilombolas”, finalizou.
Embora não tenha havido o registro de mortos ou feridos, as chuvas no Vale do Ribeira atingiram mais de 8 mil pessoas, 7 mil ficaram desalojadas e 1.500 desabrigadas.
A principal fonte de renda dos municípios atingidos – a bananicultura – teve 80% de sua produção perdida, com prejuízo estimado de cerca de R$ 30 milhões.

Da Redacao