S. Paulo – Reunidas com lideranças de entidades negras e advogados no Conselho de Defesa dos Direitos da Pessoa Humana (CONDEPE), na tarde desta terça-feira (06/12), famílias das vítimas de discriminação em supermercados decidiram se mobilizar para pressionar o Grupo Pão de Açúcar, do empresário Abílio Diniz, a abrir canais de diálogo e negociação.
A reunião foi aberta pelo presidente do CONDEPE, jornalista Ivan Seixas, e contou com a participação do coordenador de Políticas para a População Negra e Indígena da Secretaria de Justiça do Estado, advogado Antonio Carlos Arruda, da representante da Fundação Procon, Regina Lunardelli, do coordenador do Conselho Geral da Uneafro, Douglas Belchior, e dos advogados Dojival Vieira, Alexandre Mariano e Clayton Borges, este último representando o Sindicato dos Advogados de S. Paulo.
Empresa ignora
Durante a reunião Laudi Pereira Dourado, mãe do garoto W., 13 anos, e Célia Regina de Oliveira Vicente, avó de M., 14, na companhia do advogado Alexandre Mariano, relataram a recusa da empresa em abrir o diálogo e o resultado do Inquérito Policial, em que o delegado Marcos Aníbal, do 10º DP da Penha decidiu não indiciar nenhum dos acusados, embora tenham sido reconhecidos durante os depoimentos.
Os dois garotos e mais o menor T., de 10 anos, cuja família o Pão de Açúcar indenizou, em março passado, foram tomados por suspeitos de furto de mercadorias e levados para um quarto, onde foram obrigados a tirar as roupas, ameaçados, maltratados e agredidos, no caso de W. e M.
As investigações comprovaram que o menor T. pagou as mercadorias das quais foi acusado de furto e os outros dois, sequer passaram pelo caixa pois foram retirados antes por seguranças.
Providências
No final da reunião, ficou decidido que o CONDEPE e a Coordenação de Políticas para a População Negra da Secretaria da Justiça encaminharão ofícios a direção do Grupo Pão de Açúcar pedindo uma reunião para o dia 31 de janeiro de 2012 e farão um apelo para abertura do diálogo e de negociações da empresa com as vítimas.
O CONDEPE também encaminhará ofício a Comissão de Direitos Humanos da Assembléia, presidida pelo deputado Adriano Diogo (PT/SP), sugerindo a convocação do delegado Marcos Aníbal para falar sobre a investigação e as razões para o não indiciamento dos acusados, assim como também serão enviados ofícios ao Ministério Público e a Corregedoria da Polícia Civil de S. Paulo.
Compre Bem
Além do caso do Extra, a reunião teve a presença de Edvanda de Carvalho e Aline Carvalho Murça, vítimas de seguranças no Supermercado Compre Bem, de Itaquera. Elas relataram os constrangimentos e a vergonha que passaram, apresentadas como ladras por seguranças da loja, que também pertence ao Grupo Pão de Açúcar. O caso aconteceu no dia 07 de junho e está registrado no 32º DP.
No final ficou decidido que no dia 22 de março, às 18h, haverá uma audiência pública, preparatória para a organização de protestos e manifestações em 2012, em frente ao Pão de Açúcar e a empresas onde ocorrerem casos de discriminação nas relações de consumo.

Da Redacao