Vitória – Na contra-mão das instituições de ensino superior que, por decisão de seus Conselhos Universitários estão aprovando ações afirmativas e cotas raciais (já são cerca de 50 no país), a Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes), decidiu rejeitar o sistema de reserva de vagas, que respeita o recorte racial e étnico.
Por decisão da maioira, o Cepe – Conselho de Ensino Pesquisa e Extensão – aprovou projeto que reserva 40% das vagas da graduação para alunos oriundos da escola pública – as chamadas cotas sociais que ignoram os efeitos do racismo no país. Cerca de 60,5% da população capixaba é preta e parda, segundo dados da Fundação Seade, com base na PNAD 2005.
A decisão começa a valer a partir do ano que vem e a proposta é que o percentual aumente para 45%, em 2.009, e 50% em, 2.010. Entidades do Movimento Negro capixaba reivindicavam uma reserva de 26% das vagas para alunos afro-descendentes, 1% para indígenas, e 25% para oriundos da escola pública.
O sistema de reserva de vagas contemplará os alunos que tenham cursado pelo menos quatro séries do ensino fundamental e todo o ensino médio em escola pública, e que tenham renda familiar inferior à sete salários mínimos.
Retrocesso
O debate sobre as cotas na Ufes começou em 2.005, com a formação de uma comissão pela Reitoria. No ano passado, a discussão foi retomada e uma proposta chegou a ser apresentada ao Cepe, porém, foi rejeitada. Em 2007, nova comissão, com representantes da comunidade universitária foi formada e passou a se reunir para encontrar um modelo que atendesse à realidade da Ufes e do Estado. A solução encontrada, porém, ignora a presença da população negra e indígena e vai na contra-mão das demais instituições de ensino superior do país. O reitor da Ufes, Rubens Rasseli, considerou a decisão “histórica”.
Segundo dados do Censo Escolar de 2006, 52% dos alunos de escolas públicas de ensino médio do Espírito Santo se consideram negros ou pardos. Hoje, de acordo com o instituto Saberes, menos de 3% dos alunos da Ufes são negros.
No mês as Federais de Santa Catarina, Porto Alegre e Santa Maria, aprovaram cotas para negros e indígenas.

Da Redacao