Florianópolis – Por ampla maioria de votos o Conselho Universitário da Universidade Federal de Santa Catarina aprovou nesta terça-feira (10/07) a adoção do sistema de cotas para negros e indígenas já a partir do Vestibular 2008. Pela proposta, a cota será de 30% – 20% para oriundos da escola pública e 10% de caráter étnico racial. Serão também reservadas cinco vagas para indígenas, em número crescente até chegar à 10 em 2.013. “O princípio das cotas foi unânime”, comemorou o professor Marcelo Tragtemberg, do Departamento de Física da UFSC.
A proposta, relatada pela professora Viviane Heberle, da Comissão para Acesso com Diversidade Sócio-Econômica e Étnico-Racial, inicialmente era de 20% de cotas também para negros, porém, a relatora da Comissão para Acesso com Diversidade Sócio-Econômica e Étnico-Racial, decidiu reduzir o percentual. Em Santa Catarina, os negros correspondem a 10,4% da população do Estado, formado majoritariamente por imigrantes, especialmente, alemães e italianos, trazidos com ajuda do Estado nas grandes ondas de imigração no início do século XX.
A votação, dirigida pelo presidente do Conselho, professor Lúcio Botelho, começou pouco depois das 9h, em clima tranqüilo e com a presença de cerca de 40 conselheiros. A primeira questão a ser votada foi quanto ao princípio das cotas. Houve unanimidade na votação a favor.
Cotas Étnico-Raciais
O segundo item da votação foi quanto a se as cotas deveriam ser para oriundos da escola pública ou se deveriam ter caráter étnico-racial. Vinte e quatro conselheiros votaram a favor de que as cotas tivessem caráter étnico-racial. Só nove conselheiros votaram que fosse só para a escola pública.
A votação seguinte teve maioria disparada de 22 votos a favor de que 10% das vagas devem ser reservadas para negros, prioritariamente da escola pública; em não sendo preenchidos 10% por esse critério, de qualquer origem escolar.
Os candidatos deverão não zerar em nenhuma prova e acertar pelo menos 30% das questões, segundo o princípio aprovado. Na platéia do Conselho, Frei David Raimundo dos Santos, ex-diretor Executivo da Rede Educafro e agora afastado do cargo e vivendo na cidade de Luzerna, região meio-oeste catarinense, a 480 de Florianópolis, acompanhou toda a votação. Ele chegou a Florianópolis com uma comitiva de alunos de uma escola pública para apoiar a aprovação das cotas.
Segundo Tragtenberg, a discussão transcorreu em “altíssimo nível”. Antes de aberta a sessão apenas dois Centros da Universidade, de um total de onze – o Tecnológico e o de Ciências Biológicas – tinham se manifestado contrários. Outros três – o Centro de Educação, Ciências Humanas, o Centro de Ciências Física e o de Matemática – eram a favor. Os conselheiros de outros seis Centros se posicionaram durante o debate.
“A Universidade deu sua contribuição, ainda que pequena, para promover maior igualdade sócio-econômica e étnico-racial”, afirmou Tragtenberg.

Da Redacao