S. Paulo – A Polícia Federal poderá entrar no caso do assassinato do guardador de carros, Benedito Oliveira de Santana, 71 anos, atacado por neonazistas na madrugada de 06 de abril passado, quando trabalhava próximo ao Clube Ginástico Rioclarense, em Rio Claro, cidade a 187 Km da capital.

A Comissão de Direitos Humanos da Assembléia Legislativa de S. Paulo, por proposta do seu presidente, deputado Adriano Diogo (PT), aprovou pedido ao ministro da Justiça, José Eduardo Cardoso, para que a PF investigue as ligações de células neonazistas atuantes nos Estados de S. Paulo, Paraná e Minas Gerais e no Distrito Federal.

Santana foi morto por três neonazistas, dois dos quais  – Hélcio Alves Carvalho e Axel Leonardo Ramos, respectivamente de 20 e 21 anos -, segundo a Polícia pertencem a um grupo neonazista atuante em Ponta Grossa, no Paraná. Os guardas que detiveram os assassinos contaram que, mesmo detidos, os dois mantiveram-se agressivos: "negros têm que morrer mesmo", diziam, segundo relataram à Polícia.

O guardador de carros (foto abaixo) permaneceu por 15 dias em estado de coma na UTI da Santa Casa, com traumatismo craniano provocado pelos socos e chutes, especialmente na cabeça. Ao receber alta – já numa seguda internação – não resistiu às sequelas. Ele morreu no dia 1º deste mês em casa e foi enterrado no dia seguinte, no Cemitério S. João Batista, em Ipeúna, cidade próxima à Rio Claro, onde morava com a família.

"As organizações neonazistas estão intactas, vivas e soltas, agredindo violentamente a população negra e pobre. O caso ocorrido em Rio Claro é um absurdo e comprova que estes casos devem ser apurados para não acontecerem novamente. Como presidente da Comissão de Direitos Humanos da Assembleia Legislativa de SP, vamos contribuir ao máximo neste trabalho”, afirma Adriano Diogo (foto da capa).

Neonazismo

No requerimento aprovado com base em representação apresentada pelos advogados Dojival Vieira, Elizeu Soares, Celso Fontana e Hugo Albuquerque – os dois últimos do SOS Racismo da Assembléia, a Comissão de Direitos Humanos relaciona os casos em que a presença neonazista foi identificada pelas autoridades e alerta para o crescimento desses grupos, com base em pesquisa recente da antropóloga Adriana Dias, pesquisadora da Universidade de Campinas (Unicamp).

Segundo o levantamento da pesquisadora, a partir de monitoramento feito entre 2002 e 2009, o crescimento da presença neonazista , em especial, nos Estados das regiões sul e sudeste e no Distrito Federal, é alarmante e o número de deles já chega a 105 mil

Ainda de acordo com a pesquisadora que trabalha há 11 anos mapeando grupos neonazistas e já prestou consultoria à Polícia Federal e para serviços de inteligência de Portugal e Espanha, entre outros países no período estudado o número de sites que veiculam informações de interesse neonazistas subiu 170%, saltando de 7.600 para 20.502.

Nas redes sociais a situação, os dados são igualmente alarmantes: existem comunidades neonazistas, antissemitas e negacionistas [negam o Holocausto judeu) em 91% das 250 redes sociais analisadas e nos últimos 9 anos, o número de blos sobre o assunto cresceu mais de 550%.

 

 

 

Da Redacao