S. Paulo – O escritor Reginaldo Ferreira da Silva, o Ferréz, afirmou durante o enterro do DJ Lah, uma das seis vítimas da primeira chacina do ano, ocorrida na noite de sexta-feira, no Jardim Rosana, região do Campo Limpo (zona sul), que o rapper foi morto por policiais militares. “Só o governador não quer enxergar”, disse Ferréz, acrescentando que nos bairros ricos a polícia dá bom dia, dá boa noite, aqui ela mata”.

Laércio Grimas, o DJ Lah, 33 anos, do Grupo Conexões do Morro, foi enterrado neste domingo (06/01), no cemitério dos Jesuítas, em Embu das Artes. Centenas de pessoas, na maior parte amigos e vizinhos, foram lhe render as últimas homenagens no velório e se comoveram com o choro de Maikon, 8 anos, filho do rapper, que também acompanhou o enterro do pai.

O líder dos racionais MC’s Mano Brown esteve no velório, mas não falou. Os assassinos do DJ Lah, parceiro de Brown, em algumas músicas, estavam encapuzados e chegaram gritando. “É polícia.” O crime aconteceu na mesma rua em que, há dois meses, o servente de pedreiro Paulo Batista do Nascimento foi morto por dois policiais. Os PMs envolvidos foram presos.

Terror

Para Ferréz, os jovens negros e pobres da periferia de S. Paulo vivem sob o terror em meio a onda de violência que se intensificou a partir de outubro do ano passado. “Estamos em uma ditadura, no limite da opressão”, disse ao jornalista Afonso Benites, do Jornal Folha de S. Paulo, que acompanhou o velório e o enterro.

A Polícia Militar disse em Nota que não compactua com crimes e que a Corregedoria da Corporação está acompanhando o caso.

Foto: Marlene Bergamo/Folhapress

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