S. Paulo – A Fersol Indústria e Comércio S/A, empresa com sede em Mairinque, cidade da região metropolitana de S. Paulo, especializada na industrialização e comercialização de defensivos agrícolas, e que se tornou modelo de diversidade no Brasil, fechou o ano de 2011, com uma marca considerada histórica para os padrões brasileiros: 37% de seus funcionários – incluídos pessoal operacional, administrativo e gerencial – se auto-declarou negro (preto e pardo), no Censo que é realizado desde 2009.
O Censo Fersol deste ano foi concluído entre o final de setembro e início de outubro e foi antecedido por atividades de formação sobre os conceitos de racismo e discriminação repassados aos 250 funcionários. Cerca de 51% do quadro da empresa é formado por mulheres – incluído pessoal terceirizado.
Segundo a coordenadora de Relações Humanas da Fersol, Eliana Francisco, o aumento da participação de negros nos quadros da empresa vem aumentando de forma expressiva, fato que ela associa ao trabalho de formação e de valorização da diversidade que vem sendo desenvolvido. Em 2010, o percentual de negros era de 30%.
Valorizar a diversidade
“A Fersol atua como facilitadora do processo de transformação da sociedade que se inicia com o fortalecimento da diversidade e a inclusão dos setores historicamente excluídos – mulheres, afrodescendentes, pessoas maiores de 45 anos, portadores de necessidades especiais, homo-afetivos e pessoas com liberdade assistida. Para isso, reforça seus valores na afirmação de responsabilidade, solidariedade e de que a sustentabilidade vai além da viabilidade econômica; deve vir acompanhada de um processo de formação social e política capaz de emancipar e incentivar o protagonismo dos trabalhadores permitindo construir a cidadania plena com dignidade”, afirma.
De acordo com Eliana, o Censo, além do formulário com o quesito cor/raça, inclui atividades de formação e palestras. “As pessoas levam para casa as informações que são passadas. Agente vê uma mudança. É um trabalho de formação, de busca de identidade, que começa a dar resultados muito visíveis”, acrescenta.
Formação
No total, segundo ela, são 2.500 horas de formação, envolvendo a totalidade dos funcionários e pessoal terceirizado. Eliana afirma que uma das constatações do Censo que a empresa vem realizando é a maior dificuldade das mulheres de assumirem suas própria identidade: “As mulheres tem mais dificuldades de se declararem negras. Mais do que os homens”, explica.
Ela disse que um outro dado que já é possível constatar por meio do Censo é que, de um modo geral, o crescimento da identidade étnico-racial na empresa, reflete o fato do Brasil começar a se aceitar como um país majoritáriamente negro, conforme concluiu o Censo do IBGE 2010.
De acordo com o Censo do IBGE, os negros (pretos e pardos), correspondem a 50,7% da população brasileira.

Da Redacao