Belo Horizonte – Pelo menos uma pessoa ficou feliz pelo vexame da seleção brasileira ao perder da Alemanha por 7 x 1, na partida disputada nesta terça-feira (08/07) no Mineirão, que terminou com as chances do Brasil de conquistar o hexa: Tereza Borba, filha adotiva do ex-goleiro Barbosa, acusado de ser o responsável pelo maracanazzo na Copa de 50, quando o Brasil perdeu a final para o Uruguai.

Depois disso, por conta do racismo no futebol, cresceu na seleção e nos principais clubes a idéia de que o posto de goleiro era muito importante para ser ocupado por um negro. Barbosa costumava comentar com amigos que ninguém teve pena tão longa quanto a sua: “A pena máxima para um crime no Brasil é 30 anos. Eu pago por aquele gol há 50”, afirmava. O Brasil perdeu a partida por 2 a 1, gol de Ghighia.

"Pra mim está ótimo. Eu já sabia. E o Barbosa foi vice-campeão. Ele tinha orgulho de ser vice, entendeu? E hoje tomamos "chocolate", que não foi da Suíça. Estou triste por ser brasileira, mas feliz por honra ao Barbosa. Ele deve estar feliz agora", disse a filha de Barbosa ao Uol Esporte.

A família nunca se conformou com a injustiça sofrida pelo goleiro, responsabilizado pela derrota. "Isso foi pra mostrar que Barbosa tem valor. Ele era ótimo goleiro e foi um grande injustiçado. Barbosa não tinha salário, psicólogo e não ganhava como esses jogadores ganham agora. O que é isso?", prosseguiu.

Pena

Moacir Barbosa do Nascimento morreu triste e amargurado no dia 07 de abril de 2000, em Praia Grande, litoral de S. Paulo. Depois da derrota para o Uruguai no dia 16 de julho de 1.950 ele só voltaria a atuar pela selação apenas uma vez, três anos depois no Campeonato Sul-Americano do Peru, contra o Equador.

Em 1.960 deixou o Vasco, clube onde conquistou dois títulos estaduais (1.952 e 1.958) e os torneiros quadrangulares do Rio e do Chile, em 1.953. Ele ficou marcado por toda a vida, visto como uma espécie de vilão nacional por ter falhado no gol que deu a vitória ao Uruguai.

"Como brasileira, torci muito pelo Brasil. Ele preferia que o Brasil tivesse ganhado, infelizmente. Barbosa tinha orgulho de ser vice. E agora? O Barbosa tem que ser reverenciado mais do que nunca. Ele foi vice e nem vice eles foram", afirmou a filha, ao comentar a derrota do Brasil no Mineirão.

Proibido por Parreira

As humilhações sofridas por Barbosa não parariam por aí: segundo Solange Guimarães, uma amiga do goleiro, ele foi barrado na Granja Comary, concentração da seleção brasileira na preparação para o Mundial de 1.994.

“Aquele dia, acho que foi o pior dia da vida do Moacir Barbosa porque ele chegou aqui chorando e falando que não esperava de Parreira, que foi quem barrou a entrada dele. Falei para ele deixar para lá. Disse: “Não esquenta não, você foi um bom goleiro, é uma boa pessoa. Cada um age de uma maneira, mas você tem amigos em Ramos, sua família. Então, esquece isso, não vai mais lá, procura só as pessoas que te amam de verdade”, contou Solange em entrevista ao SportTV, em abril do ano passado.

Crédito da foto: Uol Esporte

Da Redacao