S. Paulo – O jornal Folha de S. Paulo, na edição desta sexta-feira, 08 de junho, dá mais uma demonstração do jogo pesado da mídia contra o Estatuto da Igualdade Racial e contra as ações afirmativas e as cotas para a população negra. Na página 8 do Caderno Cotidiano, o jornal abre manchete: “UnB rejeita um gêmeo e aceita outro nas cotas”. No subtítulo da matéria, porém, o próprio jornal se desmente. “Universidade recuou, e Alex agora poderá participar, assim como Alan, no Vestibular”.
Também o subtítulo, que desmente o título está errado. O estudante Alex Teixeira da Cunha, irmão de Alan, entrou com recurso por ter sido recusado na primeira fase do sistema de adoção pelas cotas, por que tinha pele mais clara do que o irmão. O recurso foi recebido e acatado pela UnB, conforme anunciou o reitor da Universidade, Timothy Mulholland (ver manchete Afropress).
O editor de Afropress, jornalista Dojival Vieira, enviou carta ao ombudsman da Folha, jornalista Mário Magalhães, denunciando a falsificação e afirmando esperar que tenha sido “apenas um erro e não a linha editorial que, além de equivocada, estaria repetindo os equívocos de outros veículos como a Revista Veja e a Rede Globo, que incorreram na mesma prática porque abandonaram o jornalismo e passaram a fazer propaganda contra as cotas e o Estatuto da Igualdade Racial.”
Veja a Carta encaminhada ao ombudsman da Folha
“Prezado Mário Magalhães,
A manchete da Folha publicada no caderno Cotidiano (C8), edição de hoje, 08/06, sob o título “UnB rejeita um gêmeo e aceita outro nas cotas”, além de está na contramão dos fatos, nega o que está na matéria assinada pela repórter Angela Pinho.
Aliás, é o próprio subtítulo, que desmente a matéria, ao afirmar que “Universidade recuou, e Alex agora poderá participar, assim como Alan, no vestibular.”
Vale acrescentar que também o subtítulo está errado. Como esclarece o reitor da UnB, Timothy Mulholland, não houve nenhum recuo. Apenas o processo não havia ainda sido concluído. Houve uma decisão preliminar, passível de recurso. O recurso foi apresentado e aceito, como ocorre normalmente em qualquer esfera, seja administrativa ou judicial.
Quero crer que este grave erro cometido pelo jornal – do qual sou leitor e assinante – seja apenas um erro e não se trate de linha editorial que, além de equivocada, estaria repetindo os equívocos de outros veículos como a Revista Veja e a Rede Globo, que incorreram na mesma prática porque abandonaram o jornalismo e passaram a fazer propaganda contra as cotas e o Estatuto da Igualdade Racial.
Na expectativa de que as correções sejam feitas à tempo, renovo os protestos de consideração.
Cordialmente,
Dojival Vieira
Jornalista Responsável pela Afropress – Agência Afroétnica de Notícias
(novo.afropress.com)

Da Redacao