S. Paulo – O diretor executivo da Educafro, Frei David Raimundo dos Santos, expressou seu desencanto pelo desinteresse dos Partidos políticos (sem exceção) pela defesa das reivindicações que interessam a população negra brasileira e disse que o maior reflexo disso é a pequena presença de negros no ministério escolhido pela Presidente Dilma Rousseff.
Contrariamente ao que aconteceu no primeiro Governo do Presidente Luiz Inácio Lula da Silva, quando negros ocupavam quatro ministérios e a Secretaria Especial de Políticas de Promoção da Igualdade Racial (SEPPIR), no Ministério Dilma há um único ministro negro – o dos Esportes, Orlando Silva – e duas Secretarias com status de Ministério – a própria SEPPIR e a Secretaria da Pesca – ocupadas, respectivamente, pela socióloga Luiza Bairros e pela ex-senadora Ideli Salvatti, de Santa Catarina.
No total, são 37 ministérios, incluindo as secretarias com status equivalente, porém, com orçamentos pouco expressivos. Em 2003, eram 34. “Houve uma retração em relação ao Presidente Lula”, destacou o frei.
“Os Partidos não tem consciência nem compromisso com a causa negra. É preciso uma revisão de postura como Movimento Social Negro. Temos tido uma postura tímida. É preciso pressionar mais os Partidos políticos e na hora certa. É preciso discutir com os Partidos políticos a responsabilidade deles com as mudanças no Brasil. Os partidos só querem usar o nosso voto.
Cada um, simplesmente está querendo apadrinhar os seus”, afirmou.
Compromissos
Frei David fez uma autocrítica ao lembrar que, embora a própria Educafro tenha buscado nas últimas eleições arrancar compromissos de candidatos com as reivindicações que interessam a população negra, as direções dos Partidos não foram procuradas.
Comentando as possíveis mudanças na direção da SEPPIR, sob o comando da nova ministra chefe Luiza Bairros, ele disse que “a comunidade negra não deveria estar brigando por cargos na SEPPIR”. “Precisamos de negros em todos os ministérios”, sublinhou.
Ele também é crítico a postura dos ativistas negros que priorizam a ação política nos partidos e que se submetem a agenda dos mesmos. “A minha impressão é que os negros dos Partidos ficaram exageradamente preocupados em garantir a permanência nos seus cargos. Não tiveram a visão maior, estruturante. São bons militantes que se perderam. Não tiveram a ousadia de ampliar a participação e continuar abrindo portas”, afirmou.
Nova direção
O líder negro franciscano, porém, manifestou esperança na gestão da ministra Luiza Bairros. “A SEPPIR passou a ser um dos poucos ministérios em que a Presidente Dilma pôde colocar a linha dela. Está ali um dos poucos setores onde a Presidente vai colocar a mão dela. Tenho esperanças”, concluiu.

Da Redacao