S. Paulo – A disputa que opõe a Rede Educafro dirigida pelo Frei David Raimundo dos Santos (foto) e o grupo dissidente que saiu denunciando os métodos autoritários do religioso chegou à Universidade São Francisco (UFS), instituição que mantém cerca de 3 mil Bolsas de estudos para jovens dos cursinhos pré-vestibulares.
Em um duro Comunicado assinado pelo Frei David e pelo mais novo gerente geral da Educafro, Eduardo Pereira Neto, dirigido a todos os universitários bolsistas e universidades parceiras, os estudantes são ameaçados com o corte das Bolsas na Universidade São Francisco, caso não apresentem a Carta oficial chancelada e timbrada pela Educafro.
Os estudantes são ainda alertados “sobre a má intenção” dos dissidentes, acusados da prática de “fraude ideológica, apropriação de bens, serviços e benefícios já existentes”, e advertidos de que o comparecimento à reuniões convocadas pelos mesmos implicaria na perda do benefício da Bolsa.
Frei David garantia ainda que a direção da USF havia se comprometido a aceitar a renovação de Bolsas dos estudantes apenas mediante carta oficial chancelada e timbrada pela Educafro, vale dizer, por ele próprio.
O racha na Educafro foi tornado público no início deste ano quando toda a direção política da entidade – incluindo os diretores Geral, coordenador Político Jurídico e coodenadores de dezenas de núcleos – rompeu com David denunciando os métodos autoritários do Frei na gestão da entidade.
No dia 05 de março passado, os ativistas em manifestação que ocupou a Faculdade de Medicina da USP, na Av. Dr. Arnaldo, centro de S. Paulo, lançaram oficialmente a Uneafro – União de Negros e Classe Trabalhadora, com uma proposta de um novo movimento negro capaz de romper com o assistencialismo e com o “onguismo” que dizem ter detectado na Educafro.
Manipulação
A direção da Universidade São Francisco não gostou de ver seu nome envolvido numa disputa interna de entidades às quais beneficia com Bolsas numa relação de parceria e, em comunicado assinado pelo pró-reitor Comunitário, Evandro Luiz Amaral Ribeiro, lamentou”a manipulação da sua imagem e política institucionais como instrumento de pressão a alunos que porventura desejarem se desfiliar da Educafro”. A Universidade decidiu suspender o convênio com a Educafro para os próximos dois vestibulares.
Além de desmentir publicamente o Frei, a direção da USF lastimou a pressão dirigida aos estudantes que queiram se desfiliar da Educafro, reconhecendo a importância da criação de alternativas para o bem da democracia e da livre escolha.
Leia, na íntegra, o Comunicado da Universidade São Francisco
COMUNICADO PRC 003/2009
AOS BOLSISTAS EDUCAFRO
A Universidade São Francisco, face ao Comunicado Oficial III emitido pela Educafro, comunica a todos os bolsistas Educafro matriculados nesta instituição o quanto segue:
1. As reuniões ocorridas entre Universidade São Francisco e Educafro tiveram o único objetivo de tratar da suspensão do Convênio entre ambas, previsto para os vestibulares de Inverno 2009 e Verão 2010, em atendimento à decisão da Mantenedora CNSP-ASF e da Reitoria da Universidade São Francisco.
2. Por este motivo, a Universidade lamenta a manipulação da sua imagem e política institucionais como instrumento de pressão a alunos que porventura desejarem se desfiliar da Educafro, conforme consta no seu recente Comunicado Oficial III: “(…) o bolsista que por ventura seguir OUTROS procedimentos, correrá o risco de perda do benefício da referida bolsa, (…)”. E equivocadamente: “No último dia 24 de março, tivemos reunião com o Reitor Comunitário da USF e o mesmo afirmou que só aceitará renovação de bolsas com a carta oficial chancelada da Educafro, conforme definição anterior em contrato”.
3. A Universidade esclarece que em momento algum tenha tomado partido nesta discussão envolvendo a Educafro e a UNEAFRO, que por sinal, é totalmente pertinente num ambiente democrático. A reciprocidade do respeito institucional não foi mantida pelo Comunicado Oficial III.
4. A Universidade esclarece que a manutenção das bolsas dos alunos filiados à Educafro será realizada na conformidade habitual e que caso algum aluno bolsista venha a se desvincular da Educafro, a manutenção da sua bolsa, em última instância, é prerrogativa da Universidade, no exercício da sua autonomia.
5. Queremos com isso, em respeito ao nosso alunado, tranqüilizar a todos e, ao contrário do que fora equivocadamente veiculado, garantir que nenhum aluno bolsista da Universidade, estando ele vinculado à Educafro ou não, perderá a sua bolsa. A sua bolsa de estudos está garantida até o término de seus estudos, respeitando-se o limite máximo de integralização do curso.
6. Cabe à Universidade São Francisco, em última instância, conceder ou não conceder bolsas e esta concessão está condicionada ao atendimento de sua Política Social de Inclusão Social.
BRAGANÇA PAULISTA, 14 de abril de 2009.
Evandro Luís Amaral Ribeiro
Pró-Reitor Comunitário

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