S. Paulo – O ex-coordenador do Fórum S. Paulo da Igualdade Racial e ex-diretor executivo da Educafro, Frei Antonio Leandro da Silva (foto), disse que, à época das mobilizações iniciadas pelo Fórum, em S. Paulo, em 2006 e 2007, a UNEGRO (União de Negros pela Igualdade) era contrária a aprovação do Estatuto, considerando que o mesmo estava esvaziado de seu conteúdo e também por causa da ausência do fundo de Promoção da Igualdade Racial.
A UNEGRO é a entidade que reúne ativistas e militantes filiados ou próximos ao PC do B, e na recente II Conferência Nacional de Promoção da Igualdade Racial, reuniu a maioria dos delegados organizados presentes – cerca de 20%.
Polêmica
Frei Leandro fez a revelação ao rebater afirmações do coordenador da UNEGRO, o historiador Edson França, de que há oportunismo nas críticas feitas ao projeto do Estatuto aprovado e que será apreciado pelo Senado, fruto de um acordo entre os parlamentares da Comissão Especial composta na Câmara dos Deputados.
“Penso que o debate gira em torno de duas questões: primeira, a crítica procede porque não se trata apenas de um acordo com o DEM senão pelo esvaziamento do conteúdo do Estatuto, em troca de que? E aí entra a segunda questão, porque, politicamente, muitos estudos já analisaram os procedimentos de como se processa o debate parlamentar; por exemplo, Max Weber (1864-1920), na Sociologia Compreensiva, no ensaio sobre a “Ciência como vocação”, analisa o significado de “política” como “participação no poder ou a luta para influir na distribuição de poder, seja entre Estados ou entre grupos dentro de um Estado”. Portanto, aqui se avança no debate crítico-consciente, ao invés de ignorá-lo”, afirmou.
Frei Leandro lembrou que “segundo Weber, alguns políticos profissionais chegam ao poder por vocação – no sentido de uma obrigação; porém, outros alcançam o poder por conveniência, isto é, para sobreviver dos salários pagos pelo Estado”, acrescentou.
Diante da posição contrária manifestada pela UNEGRO na época da mobilização em defesa do Estatuto da postura a favor tornada pública agora, o Frei pergunta. “O que isso significa?”
Afropress ligou para o historiador Edson França, porém, não conseguiu localizá-lo para falar sobre as declarações do Frei.

Da Redacao