O debate, marcado para as 19h, terá a participação do jornalista Oswaldo Faustino (foto), e de Vera Benedito, responsável pela Coleção Retratos do Brasil Negro, da Editora Selo Negro. No final haverá apresentação da Orquestra Filarmônica Afrobrasileira, do maestro José Polia, e um coquetel.
A Frente, criada em 1.931, tornou-se um Partido político, sendo extinta em 1.935 pelo Estado Novo, de Getúlio Vargas. Em 1.933, o grupo fundou um jornal próprio – a Voz da Raça.
Segundo o jornalista e escritor Oswaldo Faustino, “desde o fim da Frente Negra, a representatividade negra no Brasil foi sendo enfraquecida por, principalmente, ser associada a indivíduos políticos e não a instituições respeitosas”.
Para Faustino, “por mais mais brilhantes que pudessem ser esses indivíduos, a República se ampara em instituições, ao contrário do que acontece na Monarquia”.
Liberdade
A sede da Frente Negra ficava, por coincidência, na mesma rua e no mesmo lugar, onde serão celebrados os seus 80 anos: a Casa de Portugal na Av. Liberdade, bairro da Liberdade.
Para o advogado Antonio Carlos Arruda, chefe da Coordenação de Políticas para as Populações Negra e Indígena da Secretaria de Justiça, “a Frente Negra foi a mais importante articulação política do movimento negro brasileiro”.
“Depois da Frente, apenas em 1.982, tivemos uma articulação política de lideranças, reunidas em torno da FRENAPO (Frente Negra de Ação Política da Oposição). A Frente Negra foi um Partido político, com uma concepção de partido político”, afirmou Arruda.
Fundação
Fundada por Francisco Lucrécio, Raul Joviano do Amaral, José Correia Leite – que depois se afastaria da organização por divergências ideológicas – a Frente tinha uma estrutura de organização sofisticada: era dirigida por um Grande Conselho, constituído de 20 membros, dentre os quais era escolhido o Chefe e o Secretário.
Contava ainda com um Conselho Auxiliar formado pelos Cabos Distritais da Capital e dispunha de uma organização paramilitar. Seus componentes usavam camisas brancas e recebiam tratamento de soldados.
Lucrécio, um dos seus fundadores, contava que a Frente Negra havia sido fundada debaixo de um poste de iluminação e que, no início, a reação contrária foi grande e seus membros eram acusados de praticar racismo ao contrário.
Conquistas
O respeito à organização, porém, podia ser demonstrado, segundo contam os historiadores, pela diferença de tratamento dos policiais todas as vezes que revistavam um negro com a carteirinha da Frente, com retrato de frente e perfil.
De acordo com Francisco Lucrécio, uma das conquistas da Frente – até ser extinta pelo Estado Novo – foi a conquista de espaços na então Força Pública de S. Paulo (atual Polícia Militar), corporação na qual, negros até então eram proibidos de entrar.