Brasília – O Fundo Baobá, lançado ontem em Brasília, segunda-feira (05/12) já conta com a promessa da Fundação Ford de que captará R$ 1,00 para cada R$ 1,00 doado pela Fundação Kellogg, uma das apoiadoras da iniciativa, para apoiar e financiar projetos e ações voltadas para a promoção da igualdade racial no Brasil.
A Kellogg anunciou investimentos de US$25 milhões. O Fundo lançado em solenidade na última segunda-feira no Museu Nacional, em Brasília, é uma associação sem fins lucrativos, que se propõe a captar recursos para o apoio a organizações que promovam a inclusão das populações afrodescendentes.
As doações poderão ser feitas por indivíduos, agências de cooperação e de desenvolvimento internacional, empresas brasileiras e estrangeiras. A meta é mobilizar US$25 milhões em cinco anos.
Ineditismo
A ministra da Igualdade Racial, Luiza Bairros, disse que, pelo ineditismo da iniciativa, o Fundo Baobá marca um ponto de inflexão no que se refere aos instrumentos e mecanismos de promoção da igualdade racial no Brasil.
Segundo ela, a iniciativa fará a diferença no contexto atual da luta contra as desigualdades raciais, atuando em três áreas: na produção de informações baseadas em pesquisas de opinião; no âmbito da comunicação, a partir do estímulo à reversão da representação negativa da pessoa negra; e na captação de recursos.
Num primeiro momento, o Baobá trabalhará no apoio a projetos em três áreas de intervenções prioritárias: visibilidade da população afrodescendente; temas estruturantes e promoção da equidade racial; e fortalecimento das organizações negras da sociedade civil.
O diretor da Fundação Kellogg, Alejandro Sterling, destacou a importância da comunicação no enfrentamento do racismo, e estabeleceu paralelos entre a juventude negra brasileira e a estadunidense em questões relativas à mortalidade e à violência.
“Os jovens afrodescendentes são mais vulneráveis e, tanto a comunicação como a produção de informações são fundamentais no enfrentamento do racismo e na garantia dos direitos dessas pessoas”, afirmou.
Para a gestora da Secretaria Nacional da Juventude, Helena Abramo, os jovens vivem hoje um conflito determinado por um lado pelos avanços de políticas públicas em áreas como a educação, por outro, por dificuldades de inserção no mercado de trabalho e a violência.
“A juventude negra é a mais atingida e isso requer um tratamento consistente que reverta esse quadro”, afirmou.
Para o diretor Executivo do Baobá, Athayde Motta, o Fundo foi estruturado nos moldes de organizações congêneres já em funcionamento em outras partes do mundo. “O objetivo principal do Baobá é estabelecer e administrar seu próprio fundo patrimonial e mobilizar recursos, no Brasil e no exterior, tornando-se política e financeiramente sustentável no longo prazo, e capaz de apoiar programas auto-gestionados e iniciativas pró-equidade racial lideradas por organizações de defesa de direitos dos afro-brasileiros”, explicou.
Ele destacou também como objetivos do Fundo: o apoio ao desenvolvimento institucional e maior efetividade política das organizações de defesa de direitos afro-brasileiras, por meio da capacitação de suas lideranças e da melhoria da capacidade gerencial destas organizações; o fortalecimento das organizações afro-brasileiras da sociedade civil, assim como outros movimentos sociais, lideranças e organizações da sociedade civil (OSCs) comprometidas com as lutas antirracistas, e conscientização de tomadores de decisão sobre a importância de promover mudanças efetivas no aparato político-institucional que impede o alcance da equidade racial no Brasil.

Da Redacao