S. Paulo – Com a presença do governador Geraldo Alckmin, de dirigentes de clubes e da Federação Paulista de Futebol, e de grandes nomes que brilharam nos times  finalistas do Campeonato Paulista deste ano (S. Paulo, Palmeiras, Santos e Corinthians),  o Governo de S. Paulo lançou nesta quinta-feira (16/04) no Palácio dos Bandeirantes a Campanha “SP contra o Racismo no Esporte”, ação que integra o Programa “SP contra o Racismo”.

“Hoje começa uma grande campanha contra o racismo no esporte. Quero agradecer a Federação Paulista, aos principais times de S. Paulo, aos nossos atletas, nossos jogadores, aos comunicadores. S. Paulo é terra cosmopolita, da miscigenação, multicultural, multirracial, do entendimento. Aqui é a terra em que japonês fala português com sotaque italiano. Não há nada mais oposto ao espírito esportivo, ao espírito olímpico do que o racismo. Nós temos o dever de dar o exemplo para o Brasil”, disse o governador.

Entre os jogadores, que Alckmin chamou de “o time de S. Paulo contra o racismo”, estavam Zé Maria e Wladimir, ex-laterais corinthianos, além de Basílio, autor do gol que deu o campeonato paulista de 1.977 na partida contra a Ponte Preta; Mengálvio e Lima, do Santos; o uruguaio Dario Pereyra e o ex-zagueiro Oscar, do S. Paulo; e César Maluco, do Palmeiras.

Para o ex-lateral corinthiano, Zé Maria o racismo sempre esteve presente nos estádios. "Até era normal porque a gente sabe que partia daqueles torcedores que tinham problemas e iam para desabafar nos estádios e acabavam jogando em cima dos jogadores, e os jogadores eram negros. Pelé, por exemplo, era muito maltratado. E o torcedor não queria ver a magia que ele fazia. Hoje é um pouquinho mais claro, direcionado. Com essa campanha estamos no caminho certo, com certeza", disse o ex-atleta, que hoje trabalha na Fundação Casa (ex-Febem) com menores infratores.

Segundo ele, a campanha tem potencial para se estender para o resto do país: "Principalmente, começando em S. Paulo. É uma grande potência, o governador por trás, a Federação por trás, e o esporte é um carro, não é nem um carro, é um trem e, com certeza, vai levar a população, o torcedor, a tomar mais consciência a respeito desse problema. O problema da discriminação não é só do negro. Eu trabalho na Fundação Casa e a discriminação a gente percebe que é  também contra o jovem infrator. Então é um discriminação social que, infelizmente, ainda acontece neste país", acrescentou.

Questionado sobre a posição de Pelé, que parece ser insensível a esse tipo de iniciativa, o também ex-lateral corinthiano Wladimir, considerou que "uma postura mais efetiva do "Rei" [Pelé] seria muito bem-vinda". Mas justificou: "É muito difícil cobrar dele uma situação que ele que não sentiu. Ele, enquanto "Rei", em nenhum momento e em nenhum lugar do mundo sentiu essa discriminação. Então, é difícil cobrar de alguém que não sentiu esse sentimento", ponderou.

Coordenação

A campanha foi concebida pela Coordenação de Políticas para as Populações Negra e Indígena, chefiada pela professora Elisa Lucas Rodrigues, da Secretaria de Justiça e Defesa da Cidadania, cujo trabalho foi exaltado por Alckmin e pelo secretário de Justiça, o desembargador Aloísio de Toledo César. Para Elisa, a campanha é um passo fundamental que o Governo do Estado está dando no sentido de ampliar a conscientização na sociedade, por meio do futebol, o mais popular entre os esportes.

O representante da Federação Paulista, Jaime Franco, diretor de marketing, exaltou a iniciativa e os esforços do Governo do Estado numa campanha “voltada para o combate a essa odiosa forma de discriminação, que é o racismo” e disse que a ideia é “mobilizar a sociedade e engajar o mundo do futebol, e fazer com que se multiplique uma cultura de paz e a rejeição a toda forma de discriminação”. “Para o futebol de S. Paulo é um privilégio fazer parte dessa campanha”, afirmou.

Campanha

A campanha pretende engajar atletas e as torcidas, inicialmente dos quatro principais times que disputam as rodadas decisivas do Campeonato Paulista, a começar nas semifinais deste domingo (19/04). Na entrada dos estádios, um cartão vermelho será distribuído ao público para ser usado durante as partidas. Na parte da frente, o cartão exibirá o logo e a hastag#SPContraoRacismo.

No verso, haverá uma explicação e um texto voltado ao torcedor para que ele também faça parte desse time e dê um cartão vermelho para o racismo. Também os locutores nos estádios convidarão os torcedores a erguerem o cartão em sinal de apoio à campanha, em vários momentos da partida. No total, 80 mil cartões vermelhos serão entregues aos torcedores.

Em campo, os jogadores dos quatro times semifinalistas entrarão em campo vestindo a camiseta da campanha, com a estampa “S. Paulo contra o racismo”. O logo também estará na bola dos jogos, na camisa dos árbitros e nas braçadeiras dos capitães, com o apio da Penalty, parceira da FPF. As placas e a faixa de campo também exibirão a hashtag da campanha.

Além do material gráfico, foram feitos 17 comerciais que serão veiculados na Internet e nas redes sociais com depoimentos dos jogadores de cinco clubes paulistas. Bruno Henrique, Fábio Santos e Gil, do Corinthians; Arouca, Cristaldo e Vitor Hugo, do Palmeiras; Elano, Ricardo Oliveira e Gabriel e Robinho, do Santos; Rogério Ceni, Paulo Henrique Ganso e Luis Fabiano, do São Paulo; e Marcelo Lomba, Ivan Quaresma e Biro Biro, da Ponte Preta, entre outros jogadores. Nos vídeos todos denunciam os males da discriminação e convocam a todos a daram um cartão vermelho ao racismo.

Veja a participação dos atletas do Corinthians na campanha "SP contra o racismo no Esporte".

https://www.youtube.com/watch?v=MfaOLrs0Mv4

 

Da Redacao