Curitiba – Continuam presos em Curitiba os onze racistas suspeitos de espalhar adesivos e cartazes atacando a população negra, integrantes de dois grupos, os auto-denominados FAC – Frente Anti-Caos – e Orgulho Branco. As prisões de Curitiba podem esclarecer as conexões existentes entre racistas e neonazistas que passaram a se tornar mais agressivos, no que está se desenhando como uma escalada nacional em resposta ao avanço da discussão sobre cotas para negros e ações afirmativas na sociedade.
A Secretaria de Segurança do Paraná disse que o bando – também formado por skinheads e neonazistas – também ataca judeus e homossexuais e é liderado pelo professor de jiu-jitsu Eduardo Toniolo Del Segue, conhecido por Brasil 25 anos, e Edwiges Francis Barroso – a Franciele Del Segue ou Fran, 26 anos.
Também faz parte do grupo Estela Herman Heise. Segundo o delegado Marcus Vinicius Michelotto que comandou a operação que resultou nas prisões, quem abasteceu os racistas paranaenses com o material que ataca negros e judeus foi um ex-namorado de Heise, que mora em S. Paulo e está sendo procurado.
A polícia encontrou na casas dos acusados farto material com apologia do nazismo, bandeiras, cassetetes, punhais, e camisetas com o número 88, que significa as letras H (Heil Hitler) estampados no peito ou nas costas.
As investigações começaram no mês de setembro, depois que Curitiba amanheceu coberta de cartazes e adesivos com o título “Igualdade Racial, muito obrigado”, assinados por grupos auto-denominados Orgulho Branco e Frente Anti-Caos.
No mesmo período, um jovem negro, de 19 anos, denunciou a polícia ter sido atacado a tesouradas no centro da cidade por ser negro e homossexual. A advogada Silene Hirata, da ONG Dignidade afirmou ser o grupo de agressores o mesmo que colou os adesivos racistas em orelhões, postes e fachadas de prédios.
Hirata, da ONG Dignidade, informou que o rapaz disse ter visto integrantes do grupo colando adesivos contra gays em orelhões, postes e fachadas de prédios.
Ao ser preso o chefe do bando alegou não ter conhecimento de nenhuma violência. “Sou um pai de família, não se de violência nenhuma”, disse o professor de jiu-jitsu, que já trabalhou como segurança de celebridades e na casa de quem foram encontradas fotos em que o grupo faz reverência a Hitler. Ele, entretanto, disse que há muitas facções de shinkeads em atividade em Curitiba. “Pelo menos uns 50, ativos, violentos e querem carnificina. Não posso responder por eles”, confessou.

Da Redacao