Brasília – O deputado Luiz Alberto (PT-BA), presidente da Frente Parlamentar em Defesa da Igualdade Racial, vai entrar com representação pedindo que o Ministério Público Federal apure crime de intolerância religiosa por parte do ex-governador do Rio, Anthony Garotinho.
Garotinho que, a exemplo de sua mulher, a governadora carioca Rosinha Mateus, é evangélico e apóia o candidato tucano Geraldo Alckmin à Presidência da República, disse ser inadmissível que “um cristão renomado que conheça a palavra de Deus, vote em Lula após ele ter tomado banho de pipoca na Bahia”. O banho de pipoca faz parte da liturgia das religiões de matriz africana.
Segundo Luiz Alberto, “a fala de Garotinho é discriminatória, tenta desqualificar uma prática da religiosidade afro-brasileira e indica que ele, provavelmente, não compreende o que é ser defensor da liberdade religiosa”.
O parlamentar lembrou que a Constituição Federal, no seu artigo 5º , VI, diz que é inviolável a liberdade de consciência e de crença, sendo assegurado o livre exercício dos cultos religiosos e garantida, na forma da lei, a proteção aos locais de culto e a suas liturgias. Ele também lembrou que a Lei Lei 9459/1997 que alterou a Lei 7716/1989 (Lei Caó), prevê, no seu artigo 1º que “serão punidos, na forma desta Lei, os crimes resultantes de discriminação ou preconceito de raça, cor, etnia, religião ou procedência nacional” tais como “praticar, induzir ou incitar a discriminação ou preconceito de raça, cor, etnia, religião ou procedência nacional”, com penas de reclusão de dois a cinco anos e multa.

Da Redacao