S. Paulo – O delegado Márcio de Castro Nilsson, titular da 36ª Delegacia de Polícia do bairro do Paraíso, Zona Sul de S. Paulo, deverá a ouvir até o final desta semana ou início da próxima, o dono do Restaurante Nonno Paolo, sobre o caso do garoto negro, de 6 anos, que teria sido expulso das dependências por seguranças, na última sexta-feira, dia 30 de dezembro, por motivação racista.
A mãe da criança – um garoto etíope, que não fala português – que se identificou como Cristina, 42 anos, de nacionalidade espanhola – registrou Boletim de Ocorrência na própria sexta-feira.
Barcelona
A família do garoto, que vive em Barcelona e já voltou para a Espanha após passar o réveillon em S. Paulo, se disse muito abalada. “Foi um desespero, a primeira coisa que eu pensei foi que alguém havia levado ele embora [o menino] e que não iríamos vê-lo nunca mais”, disse a mãe, técnica de administração acadêmica na Universidade de Barcelona.
Cristina havia ido ao Parque do Ibirapuera na manhã da sexta e decidiu comer no restaurante à tarde. Segundo ela, os funcionários do restaurante viram que o garoto havia entrado com os pais e o trataram como cliente. O menino não fala português.
Segundo a tia de Cristina, dona Aurora, que mora na capital, o garoto estava chorando quando foi encontrado pelos pais. “Ela [Cristina] chegou aqui chorando, com o marido. Eu voltei [ao restaurante] com ela para saber o que houve e um funcionário admitiu que havia colocado o menino para fora.”
“Ele me disse “um senhor me botou para fora”‘, em catalão, que é a nossa língua. Perguntamos se ele estava ferido e ele disse que foi segurado pelo braço, mas não foi machucado”, contou a mãe.
Investigação
O delegado, que preside o inquérito, quer saber quem eram os clientes e funcionários que estavam no local e afirmou que o caso poderá ser enquadrado na Lei 7.716/89 – a Lei antirracismo.
O advogado do restaurante José Eduardo da Cruz, que esteve na delegacia para ver o inquérito, apresentou a versão de que o menino saiu espontaneamente após ser abordado pelo proprietário.
A criança foi encontrada pela família a um quarteirão do local. O gerente do Restaurante, José Eduardo Fernandes Neto, disse que houve apenas um “desencontro” da criança com os pais.
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Da Redacao