Porto Alegre – Aconteceu na sexta-feira, 12/08, o III Seminário Estadual Caminhando para a Igualdade Racial. O auditório Dante Barone da Assembléia Legislativa de Porto Alegre foi palco para pequenas palestras e debates envolvendo todas as questões referentes à promoção da igualdade racial.
O evento organizado pela Subcomissão Permanente da Igualdade Racial e Inclusão do Senado Federal, Assembléia Legislativa do RS, Movimento Negro do Rio Grande do Sul. O Hino Rio Grandense abriu os trabalhos da manhã na voz da cantora porto-alegrense Cláudia Telles, emocionando o público e os integrantes da primeira mesa, composta de ativistas do movimento negro e de populares interessados na luta contra a desigualdade racial, todos puderam se interar sobre o andamento da aprovação do Estatuto da Desigualdade Racial e outras medidas que deverão ser tomadas até o final deste ano.
Onir Araújo, advogado e um dos principais articuladores do Movimento Negro Unificado no Rio Grande do Sul, alertou para a necessidade de uma organização imediata em relação à Marcha Zumbi + 10, que ainda não tem uma data definida e, nas palavras de Onir, “já está sofrendo pressões para um possível boicote”.
Regina Miranda, presidente do Conselho Nacional de Segurança Alimentar, alertou para um grave problema – ainda longe de ser solucionado – a fome. Segundo dados levantados pela instituição a produção de alimentos no mundo supriria cerca de três vezes a população do globo terrestre, coisa que não acontece visto que 30% da população mundial passa fome, sendo desses, 70% negros, em sua maioria mulheres negras, residentes em áreas rurais, onde as políticas sociais têm pouco acesso.
Relembrando uma das últimas visitas feitas a um quilombo remanescente, citou uma frase de uma quilombola, que disse: “Aquele chicote ainda dói no nosso lombo.”
Durante a tarde, um público mais eufórico, facilmente explicado pela participação do Senador Paulo Paim, braço forte do movimento dentro do governo, e o cantor, apresentador e ativista Netinho de Paula, pode observar que existe a necessidade de união de todos os que conscientemente sabem da importância da aprovação do Estatuto.
O editor do Jornal Irohin, Edson Cardoso, iniciou os trabalhos da mesa lembrando da obrigação de todos os ativistas de acompanharem e participarem desde momento, onde o país atravessa uma das piores crises de sua história, e que cruzando todas as CPIs e investigações o movimento negro e os interessados na promoção da igualdade racial terão a oportunidade de mostrar que estão sintonizados com a verdade e querem mudanças reais. Edson concluiu afirmando que “a Marcha deve ter este papel”.
A Secretaria Especial para Políticas de Promoção da Igualdade Racial foi representada por Ivan Brás da Conceição, que reafirmou o comprometimento da secretaria com o povo negro. Mas ressaltou a importância da presença negra em órgãos de decisão como a Câmara dos Deputados, Senado Federal, etc., que ainda é bastante reduzida.
Netinho, convidado para falar do papel do negro na mídia, acabou também apoiando as discussões sobre a data da Marcha, mas pedindo que o movimento se una o mais depressa possível, “temos que levar toda essa negrada do país para Brasília” disse o cantor.
Dando a largada para os trabalhos do projeto TV da Gente, Netinho destacou a importância do Rio Grande do Sul para o sucesso da emissora, e disse que os gaúchos terão já no dia da inauguração da TV, que deverá acontecer no dia 20 de novembro, transmissão em diversas cidades do Estado.
“O evento demonstra que quando queremos conseguimos articular e fazer ações como esta”, assim iniciou sua fala o Senador Paulo Paim. Bastante emocionado e visivelmente apreensivo o político falou sobre a corrida para aprovação do Estatuto, discutiu algumas decisões para a Marcha e comentou também sobre a crise política.
Os participantes pontuaram ainda sobre cotas nas áreas da educação e do trabalho; escolas públicas de qualidade; titulação de terras para os quilombolas; inclusão da história e cultura da África e da população afro-brasileira nos currículos escolares por meio da lei 10.639/2003; o desenvolvimento de políticas de segurança pública para a juventude; implementação de uma política nacional que inclua nos programas de saúde do SUS a doença Anemia Falciforme cuja incidência é predominante na população negra; respeito às religiões de matrizes africanas e políticas públicas para as mulheres negras.

Maria Julia Medeiros