S. Paulo – A ONG GELEDÉS – Instituto da Mulher Negra – entidade que assina o Manifesto lançado recentemente em Brasília em defesa da Marcha Zumbi + 10 no dia 16 de novembro, refutou a acusação feita por Edson França, da executiva nacional da UNEGRO e do Comitê Impulsor da Marcha, de que as entidades que defendem essa posição estejam a serviço da Fundação Ford e de outros organismos internacionais.
Em carta divulgada na Internet, a entidade diz estranhar as colocações e aponta que a UNEGRO igualmente recebeu recursos de organismos internacionais e nem por isso mudou de lado.
A UNEGRO, segundo a GELEDÉS, recebeu da Fundação Interamericana (IAF) no ano de 2001, um total de US$ 182.000 por dois anos, em colaboração com o Governo do Município de S. Paulo e Fundação Palmares, autarquia do Ministério da Cultura.
O dinheiro se refere a um Programa para 200 jovens em situação de risco e para o desenvolvimento de atividades geradores de trabalho e renda. A informação pode ser encontrada no site da IAF (www.iaf.gov – doações por ano 2.001- (http://www.iaf.gov/grants/awards_year_po.asp?country_id=5&gr_year=2001)
“Não acreditamos que essa parceria coloque sob suspeita a radicalidade
revolucionária da UNEGRO, posto que a despeito dela, a organização se mantêm vibrante e atuante contra o imperialismo norte-americano, o neoliberalismo e a globalização”.
As dirigentes de GELEDÉS, que tem entre suas diretoras, a ativista e pesquisadora do CNPq, Sueli Carneiro, acrescentam: “Não acreditamos que tal parceria represente a cooptação da UNEGRO pela política externa estadunidense. Entendemos, ao contrário, que parcerias são possíveis, mesmo com setores considerados adversários ou inimigos, sem prejuízo de princípios e convicções políticas, ideológicas e
partidárias”.
A Fundação Interamericana – que apóia várias organizações brasileiras – é um organismo independente de ajuda externa do Governo norte-americano que atua na América Latina e no Caribe. A instituição tem apoio e recursos do Congresso dos EUA, de quem, anualmente, recebe fundos.
A IAF também tem acesso ao Fundo Fiduciário de Progresso Social administrado pelo Banco Interamericano, formado pelo pagamento de empréstimos que o Governo dos EUA concedeu originalmente no âmbito da Aliança para o Progresso a vários Governos da América Latina e do Caribe.
Segundo a direção da GELEDÉS, a posição em defesa da Marcha Zumbi + 10 em 16 de novembro, não tem qualquer ligação com o fato de receber ajuda de organismos internacionais para projetos. “Como é de conhecimento público, GELEDÉS tem contado, com apoio de fundações nacionais e internacionais diante das quais goza de respeito e prestígio pela coerência de suas posições e transparência das relações que estabelece com essas instituições, pois acreditamos, e vimos demonstrando, que é possível estabelecer parcerias altivas que não precisamos ocultar com instituições que, por sua vez, jamais tentaram nos submeter”.
A entidade acrescenta que esse posicionamento não é prerrogativa apenas sua “razão pela qual jamais nos ocorreria fazer ilações e buscar motivações ocultas nas parcerias realizadas por outras organizações negras com fundações internacionais”.
“Não acreditamos que essa parceria coloque sob suspeita a radicalidade revolucionária da UNEGRO, posto que a despeito dela, a organização se mantêm vibrante e atuante contra o imperialismo norte-americano, o neoliberalismo e a globalização. Não acreditamos que tal parceria represente a cooptação da UNEGRO pela política externa estadunidense. Entendemos, ao contrário, que parcerias são possíveis, mesmo com setores considerados por vocês como adversários ou inimigos, sem prejuízo de seus princípios e convicções políticas, ideológicas e partidárias”, reafirma a carta.
E finaliza: “Então, se nem a UNEGRO, nem as organizações que marcharão no dia 16 estão a serviço de forças ocultas internacionais, qual é mesmo o problema com a data da Marcha”? E Conclui: “Talvez a resposta esteja em forças ocultas nacionais”.

Da Redacao