Por mais  que doa aos golpistas, traidores, oportunistas e seus simpatizantes, golpe é  golpe, seja ele militar ou parlamentar. Assim o diz a literatura política e desse modo vê a maior parte do mundo o que se passou no Brasil, inclusive forças políticas e jornais conservadores que presam a democracia acima de tudo. 

E o que se viu? Uma Constituição duplamente estuprada em uma mesma e historicamente vergonhosa sessão parlamentar. Por um lado, um jogo com torcida e arbitragem comprada e de placard pré-definido acabou em destituição de uma presidente sem que sobre ela ficassem claramente provados os crimes de que é acusada. 

Por outro, a aplicação do famoso "jeitinho brasileiro" – algo que em outras paragens  significa bandidagem, desrespeito ao próximo ou ao colectivo – para garantir à destituída seus direitos de exercício pleno de cidadania. Tem melhor confissão para o golpe? 

Como disse o comentarista político e escritor Miguel Sousa Tavares, o congresso brasileiro, com todas as suas formalidades coimbrãs do século 19, mais parece um "saco de gatos e de bandidos".

Porém, conhecendo minimamente o Brasil, onde tenho amigos e familiares, recuso-me a colocar todo o imenso país e seu maravilhoso povo no mesmo saco refletido na maioria de seus parlamentares, como sempre o fez, aliás, a grande maioria de brasileiros, e como faz agora, infelizmente, a grande maioria de estrangeiros.

O Brasil é bem maior do que os seus políticos corruptos e traiçoeiros e parte de jornalistas, particularmente da imprensa hegemónica, sem ética deontológica e compromisso com a imparcialidade, denunciados e desmoralizados por colegas e comentadores da imprensa internacional.

 

Alberto Castro