Rio Branco/Acre – A ONG Conectas, em parceria com MENAMIRD (Mesa Nacional para las Migraciones y Refugio en República Dominicana), realizou às 11h desta terça-feira (25/03) um pronunciamento oral no Conselho de Direitos Humanos da ONU, em Genebra, na Suíça, denunciando a situação dos imigrantes haitianos, no Brasil.

A denúncia acontece no mês em que o abrigo construído pelo Governo na pequena cidade de Brasileia, no Acre, atingiu seu pico máximo de ocupação, coincidindo com um período de chuvas e inundações que deixaram o local ilhado.

A cidade se converteu em principal ponto de chegada para os haitianos que vêm ao Brasil sem visto. O galpão, construído para abrigar 300 pessoas, atende hoje a 2,3 mil. Segundo o Governo local, aproximadamente 400 imigrantes usam as instalações e comem no abrigo, mas conseguem alugar quartos na cidade.

Segundo relatos de parceiros locais, entre 80 e 90 haitianos têm chegado a Brasileia todos os dias, enquanto apenas 20 conseguem deixar a cidade.  O pronunciamento será transmitido ao vivo às 11 horas (hora de Brasília) no site da ONU.
 
“A Conectas escuta há 8 meses do governo federal que medidas estão sendo elaboradas para ampliar o abrigo e melhorar as condições ali. É preciso menos promessas e mais vontade política”, disse Camila Asano, coordenadora de Política Externa da Conectas.
 
Inércia
 
Conectas denuncia há mais de oito meses a falta de esforços, em todas as esferas, para resolver a crise em Brasileia. Em setembro de 2013, pouco depois de constatarem as condições insalubres do abrigo, representantes da entidade se reuniram com autoridades dos ministérios da Justiça, Trabalho e das Relações Exteriores em Brasília para exigir soluções urgentes para a crise. À época, o Governo se comprometeu a realizar uma força tarefa para melhorar as condições de acolhida do galpão, mas nada foi feito até agora.
 
Pouco depois, em outubro, a organização levou o caso a CIDH (Comissão Interamericana de Direitos Humanos da OEA). Em novembro, enviou carta à Presidente Dilma Rousseff às vésperas de sua viagem ao Peru, pedindo comprometimento intergovernamental para acabar com as violações cometidas contra os imigrantes no caminho até o Brasil. Em janeiro de 2014, pouco antes de reunião interministerial sobre o caso, Conectas enviou documento ao Ministério da Justiça e à Casa Civil com sete recomendações para solucionar a crise.  

Confira a denúncia:

Consejo de Derechos Humanos de las Naciones Unidas – 25a. Sesión (Marzo, 2014)

Declaración Oral – Ítem 10 – Diálogo Interactivo – Experto Independiente Haití

Conectas Direitos Humanos

Señor Presidente,

Conectas, en conjunto a MENAMIRD1, llama la atención del Consejo para la migración haitiana, realidad indisociable del pasado y presente de Haití.

Por un lado, la histórica migración hacia República Dominicana y su actual desafío, presentado en el informe del Experto Independiente: la aplicación discriminatoria del derecho a nacionalidad de hijos de padres en situación irregular. Aún después de la sentencia de la Corte Interamericana2, el Tribunal Constitucional determinó la desnacionalización retroactiva de más de 200 mil dominicanos. Las personas de origen haitiana son afectadas desproporcionalmente, no sólo porque son la mayoría3 , sino también por su histórica discriminación racial y económica4.

Por otro lado, destacamos el nuevo flujo haitiano hacia América del Sur5. Desde el terremoto de 2010, Brasil se concretiza como principal destino y ya recibió más de 20 mil haitianos6. En 2012 el país creó la llamada “visa humanitaria”7 que simplifica la emisión del permiso de viaje y permanencia8. Sin embargo, la mayoría aún llega a Brasil sin la visa por ruta que incluye República Dominicana, Panamá, Ecuador, Perú y Bolivia. Preocupa las denuncias de abusos cometidos por policías y “coyotes”9. La entrada a Brasil ocurre por el norte en una pequeña ciudad, donde, hoy en día, 2300 migrantes son asistidos en el albergue público que tiene capacidad para trecientos. Las condiciones de vida son insalubres y se ven agravadas por el desbordamiento de ríos que impiden la movilidad. Todos los días llegan en media 80 haitianos y solo cerca de 20 dejan la ciudad.

Hace ocho meses que Conectas demanda que el gobierno federal de Brasil promueva reformas del albergue y amplíe la capacidad de las Embajadas para una emisión más eficaz de las visas.10 En este contexto, instamos que los Estados de origen, de tránsito y de destino respeten los derechos de estos migrantes. Pedimos respetosamente al Experto Independiente que incluya la temática migratoria en su próximo informe.

Muchas gracias.

Fotos: Angela Peres/Secom Acre

Da Redacao