Brasília – Enquanto no Brasil, o Estado resiste em adotar ações afirmativas e cotas para compensar os 50,7% da população brasileira negra, que teve seus antepassados escravizados por mais de 350 anos, na Alemanha o Governo vai pagar pensão a mais de 16 mil vítimas do Holocausto em todo o mundo.
A escravidão, que atingiu em torno de 40 milhões de negros arrancados da África como escravos durante quase quatro séculos, é considerado crime de lesa-humanidade pela ONU.
O acordo foi anunciado nesta quinta-feira (05/12) e, com ele, o Governo alemão passa a indenizar 66 mil sobreviventes dos campos de concentração e guetos nazistas, incluindo as pessoas que tiveram de se esconder para fugir à fúria do regime de Adolf Hitler, durante os sete anos em que o nazismo vigorou na Alemanha.
Greg Schneider, o vice- presidente executivo da Claims Conference, organização sediada em Nova York, que apoiou o acordo, disse que o problema não é o dinheiro das indenizações. “Não é uma questão de dinheiro. É o reconhecimento da Alemanha do sofrimento causado a essas pessoas”, afirmou.
O pagamento das vítimas foi possível porque o Governo alemão revisou as regras para pensões a sobreviventes do Holocausto. Segundo as novas regras, que entraram em vigor em 1º de janeiro, qualquer judeu que tenha passado 12 meses em algum gueto, escondido ou com falsa identidade, poderá receber uma pensão de 300 Euros mensais – o equivalente a cerca de R$ 700,00.
Os judeus residentes nos países do antigo bloco soviético, o valor mensal chega a 260 Euros. Entre os novos beneficiários das pensões do Governo alemão, 5 mil vivem nos Estados Unidos.
O Holocausto do regime nazista que governou a Alemanha entre 1934 e 1.945, com a derrota na Segunda Guerra Mundial, demorou sete anos – de 1.938 a 1.945 – quando cerca de 6 milhões de judeus, negros e ciganos, foram exterminados em campos de concentração.

Da Redacao