Brasília – Na mesma semana em que o Congresso recebeu documento de intelectuais e lideranças negras pedindo a aprovação dos Projetos de Lei que adotam cotas para negros e indígenas (o Estatuto da Igualdade Racial e o PL 73/99), o Governo Lula deu mais um passo atrás, tornando letra morta promessas de campanha: passou a defender cotas sociais e não raciais.
O argumento é que as cotas para negros e indígenas criam mais problemas que soluções segundo declarações do ministro das Relações Institucionais, Tarso Genro. “Esse é o problema dessas normas que estão sendo propostas no Estatuto. Como não têm um componente social explícito e colocam diretamente a questão racial, criam um tipo de resistência e uma discussão que opõe brancos e negros”, afirmou o ministro.
Tarso, que tem se notabilizado no Planalto por falar e não dizer, afirma que o governo não tem uma posição fechada contra a proposta, não pretende apresentar nova proposta, mas acha que a atual pode ser mudada.
“Por enquanto o governo, como instituição, vai acompanhar com sua bancada a discussão. Mas não se negará a fazer propostas de composição para que a votação seja a mais legítima possível”, frisou Tarso.
A nova posição governista causou reação de uma parte da base governista. O deputado Luiz Alberto (PT-BA), a considerou um retrocesso e disse que pedirá audiência ao Planalto para discutir o tema.
O Estatuto da Igualdade Racial é projeto do senador Paulo Paim (PT-RS), já foi aprovado pelo senado. O PL 73/99, da deputada Nice Lobão (PFL-MA). Ambos definem cotas para negros e indígenas.

Da Redacao