Brasília – Depois de passar meses garantindo a inclusão de cotas para negros e indígenas, inclusive simulando negociações com entidades, como a Educafro, o Governo Lula voltou atrás e retirou a proposta de cotas para negros e indígenas do projeto de reforma universitária encaminhado ao Congresso.
O ministro da Educação Fernando Haddad, o mesmo que anunciou “consenso” em torno do tema depois de se reunir com entidades como Educafro, Une, Ubes, Andifes e o auto-denominado Movimento dos Sem Universidade, se desdisse, lembrando o PL 73/99, que tramita na Câmara Federal.
O PL 73/99, de autoria da deputada Nice Lobão (PFL-MA), reserva 50% das vagas nas universidades estaduais e federais para alunos oriundos da Escola Pública e cotas para negros e indígenas. Está há meses parado na Câmara aguardando apreciação do plenário.
“A inclusão da reserva de vagas na reforma universitária, acabaria atrasando o debate do projeto específico sobre cotas”, justificou.
Na época em que ocorreram as reuniões do “consenso” para implementar cotas em seis anos proposto pelo Governo e do qual participaram as entidades, lideranças negras disseram que a Educafro e o seu líder, o Frei David, não tinham procuração para negociar nada em nome da população negra. Em resposta, o Frei acusou as reações ao acordo de serem movidas pelo ciúme com o crescimento da Rede que dirige. Depois passou a esquivar-se da discussão do tema.
O advogado Humberto Adami, presidente do Instituto de Advocacia Ambiental e Racial, do Rio, e um dos ativistas críticos a esse tipo de acordo cobrou. “Cadê a turma dos acordos de 06 e 04 anos, que não teve votação, bem como as afirmativas da Seppir sobre a votação de urgência?”.
Segundo Adami “o que estamos vendo é uma manobra onde o silencio e a falta de explicações trabalham em conjunto”.
“Fazem o que querem, sem consultar nada nem ninguém, e quando dão com os burros
n´agua, restringem-se a um silêncio que complica mais. Acredito que não devesse haver mais essa história de “falar em nome da comunidade negra. Acaba dando nisso e para variar nunca aparecem culpados ou responsáveis, ao menos para dizer: “Tentei, mas estava errado!”, concluiu.

Da Redacao