WOLFSBURGO, Alemanha (AFP) – O atacante Grafite, 30 anos, ex S. Paulo, atualmente no Wolfsburg, que tenta pela primeira vez conquistar o título do campeonato alemão, disse que o episódio em que se envolveu e que gerou a prisão do zagueiro Desábato por racismo, em 2.005, “virou mais um espetáculo que um caso”, que foi “um exagero a ênfase dada e que prefere ficar famoso pelos gols”.
No jogo deste sábado (04/04), o time de Grafite bateu por 5 a 1 o Bayern de Munique, assumindo a liderança do campeonato alemão, com dois gols do brasileiro que se isolou na artilharia.
Ao lembrar o caso de que foi vítima e que resultou na prisão do argentino por racismo, Grafite afirmou. “Foi uma briga em que estava todo mundo do meu lado, só que o tempo foi passando e, quando vi, estava sozinho. Seis meses depois, perguntaram se eu prestaria queixa-crime. Falei não, vou viver minha vida, espero que o Desábato viva a dele. Ele errou, eu errei também. Foi um caso negativo prá mim”, afirmou Grafite, poderá se tornar o artilheiro do torneio alemão, em entrevista ao jornalista Rodrigo Bueno, da Folha de S. Paulo.
O jogador, entretanto, disse que não considera um exagero o que houve “porque há lei”. “A partir do momento em que se cumpre a lei, não é exagero”, acrescentou.
Racismo na Alemanha
Para Grafite o racismo é uma realidade na Alemanha. “É um povo racista realmente, em especial, os mais velhos, da época do Hitler. Um pessoal arrogante, ignorante, que não respeita”, afirma, que, no entanto, faz elogios as campanha anti-racistas promovidas pelas federações alemã e pela própria Fifa. “Aqui nunca teve isso (racismo em campo). Há muita campanha, entramos com cartazes antirracismo. O trabalho é forte, não é como no Brasil, que é temporário, fazem quando estamos no mês da libertação dos escravos, Dia da Consciência Negra”, acrescenta.
Ele afirma, porém, que nas ruas o racismo é visível. “Os jogadores são superstars. Qualquer deslize dentro ou fora de campo é notícia a semana toda. Por ser uma pessoa pública, não sinto muito (o racismo), mas vejo uns olhares, a gente percebe. É jogador de futebol, tem carro bonito…”, finaliza.

Da Redacao