Rio – Reunidas por dois dias na Universidade Cândido Mendes, no Rio, entidades integrantes do “Diálogos Contra o Racismo”, discutiram o Estatuto da Igualdade Racial e o PL 73/99, que institui cotas no país, e debateram estratégias e prioridades para dar continuidade ao trabalho, cinco anos após a criação do Grupo.
O encontro reuniu a maior parte das 65 instituições integrantes de todo o país – entre as quais a ONG ABC sem Racismo – e serviu para um balanço da campanha “Onde você guarda o seu racismo?” – a primeira iniciativa de entidades da sociedade civil de discutir o racismo como um problema do país e não apenas da população negra.
O “Diálogos” é uma iniciativa do Instituto Brasileiro de análises Sociais e Econômicas (IBASE), e tem uma coordenação que inclui entidades como a Articulação de Mulheres Brasileiras (AMB), Articulação de Organizações de Mulheres Negras (AMNB), Associação Brasileira de Ongs (ABONG), Action Aid Brasil, Comunidade Bahá’i, entre outras.
A publicitária Nádia Rebouças abriu a série de exposições do segundo dia, falando da campanha como um marco que acabou influenciando outras iniciativas. Antes dela, Fernanda Carvalho, do IBASE, Guacira de Oliveira, da CFemea – Centro Feminista de Estudos e Assessoria – e Átila Roque, do INESC – Instituto de Estudos Sócio-Econômicos -, fizeram um histórico do “Grupo Diálogos” e da campanha, que está entrando numa segunda fase.
Na quinta-feira, o primeiro dia, a discussão teve como tema o Estatuto da Igualdade Racial e o Projeto de Lei de Cotas, com exposição do advogado Renato Ferreira, coordenador do Programa Políticas da Cor da Universidade do Estado do Rio de Janeiro, a primeira universidade a adotar reserva de vagas no país.
Antes dele, a professora Rosana Heringer, da ActionAid Brasil, falou da importância do debate sobre o tema no momento em que o país inteiro passou a discutir a questão das cotas e das ações afirmativas.
No encerramento do encontro, no final da tarde dessa sexta-feira (18/08), os representantes das entidades presentes destacaram a importância da manutenção do “Diálogos” como um espaço aberto para o debate permanente, sem exclusões e com respeito ao contraditório. Embora, todas as organizações integrantes sejam favoráveis às ações afirmativas e às cotas, o Grupo decidiu que as cotas não podem ser ponto limitador do debate e sim a discussão do racismo no país.
Neste sentido, Schuma Shumaher, da REDEH – Rede de Desenvolvimento Humano – destacou a importância do “Grupo Diálogos” continuar exercendo o papel de fomentador da discussão, sem perder de vista a possibilidade de ganhar para o debate, setores que não são racistas assumidamente, porém, por desconhecimento ou ignorância, acabam por reproduzir a discriminações que estão historicamente arraigadas na sociedade.
Uma das idéias propostas pela ONG ABC sem Racismo, foi a construção de uma Agenda regional do “Diálogos”, a começar pelas capitais para dar visibilidade e ampliar o debate no país.

Da Redacao