S. Paulo – “Nós estávamos com ele na hora, ele teve uma morte tranquila, sem sofrimentos”, disse Rafael, o filho do geógrafo e professor emérito da Faculdade de Geografia da Universidade de S. Paulo, Milton Santos (foto), morto há 10 anos, no dia 24 de junho de 2001, aos 75 anos, em razão de um câncer de próstata, ao Jornal Folha de S. Paulo.
O geógrafo, era junto com Abdias do Nascimento, morto no mês passado, o negro brasileiro de maior prestígio no exterior. O câncer, que lhe tirou a vida, havia sido diagnosticado sete anos antes.
Quem foi
Milton Santos, nasceu Milton de Almeida dos Santos, em Brotas de Macaúbas, no interior da Bahia, no dia 03 de maio de 1.926. Geógrafo e livre pensador brasileiro, descrito pelos seus amigos mais próximos como um homem amoroso, afável, fino, discreto e combativo, dizia que a maior coragem, no seu tempo, era pensar, coragem a que nunca renunciou.
Doutor Honoris Causa e professor em vários países, foi autor de cerca de 40 livros. Formou-se em Direito no ano de 1.948, pela UFBA – Universidade Federal da Bahia – foi professor em Ilhéus e Salvador.
Alguns dos seus livros surpreenderam os geógrafos brasileiros e de todo o mundo pela originalidade e audácia. Entre outros escreveu “O Povoamento da Bahia (1.948), “O Futuro da Geografia” (1.953), “Zona do Cacau” (1.955).
Doutor em Geografia pela Universidade de Estrasburgo, na França, trabalhou no jornal “A Tarde” e na CPE (Comissão de Planejamento Econômico-BA), precursora da Sudene, foi preso em 1964 e exilado. Passou o período entre 1964 a 1977 ensinando na França, Estados Unidos, Canadá, Peru, Venezuela, Tânzania, escrevendo e lutando por suas idéias.
Foi o único brasileiro e receber um “Prêmio Nobel”, o Vautrin Lud, que é o equivalente ao Nobel de Geografia.
– Que dificuldades lhe trazem sua condição de intelectual negro e o tom destoante de seu pensamento no establishment acadêmico?
Certa vez, em entrevista ao Programa Roda Viva, da TV Cultura, respondendo sobre sua condição de intelectual negro e o tom destoante de seu pensamento no stabilishment acadêmico”, afirmou. “Pude me manter como outsider. Em que medida ser outsider no meu caso não se deve ao fato de eu ser negro? Os prêmios são um dia e vivem no círculo que sabe deles. A minha vida de todos os dias é a de negro. Como tal, mantenho com a sociedade uma relação de negro. No Brasil, ela não é das mais confortáveis”.

Da Redacao