S. Paulo – O Secretário de Justiça e Defesa da Cidadania de S. Paulo, Hédio Silva Jr., fez críticas ao Governo Federal, ao comparar as medidas adotadas por este e a atitude do Governador Geraldo Alckmin (PSDB), ao nomeá-lo para a pasta em maio, durante a palestra que abriu o Mês da Consciência Negra, em Mauá. “O Governador nomeou pela primeira vez um negro para a Secretaria. Não criou uma secretaria especial como fez o Governo Federal, ou então nomeou para uma pasta como Cultura. Por que é bem isso: se é pra cultura, bota um negro. Mas, aqui em S. Paulo é um negro que ocupa a Secretaria da Justiça, que é a pasta que inclusive dá posse ao governador”, afirmou.
É a primeira vez que o Secretário de Justiça, um dos mais destacados militantes e lideranças do movimento negro, faz criticas públicas ao Governo Lula de quem era próximo até assumir o cargo. As críticas fazem parte da estratégia de Hédio, recentemente filiado ao PFL para concorrer ao mandato de deputado federal, de se distanciar dos setores do Movimento que são base de apoio ao Governo Lula.
Hédio também comparou a prioridade dada pelo Governo de S. Paulo as titulações de terras habitadas por comunidades quilombolas, com medidas análogas adotadas no âmbito federal. “Enquanto aqui até o ano que vem teremos concedido títulos as 44 comunidades de todo o Estado, o Governo Federal titulou apenas seis em mais de duas mil”.
As críticas ao Governo Federal ocorreram durante a abertura da programação do Mês da Consciência Negra, em Mauá, no anfiteatro Vinicius de Moraes, na noite de ontem (07/11) e que contou com a presença do prefeito Diniz Lopes, da secretária de Educação, Ângela Donatielo e do coordenador de Promoção da Igualdadade Racial, Aparecido Anthony.
Após a fala de Hédio, o jornalista Dojival Vieira, Presidente da ONG ABC SEM RACISMO e responsável pela Afropress, fez palestra abordando o tema “Justiça e a questão racial”. A programação do Mês da Consciência prossegue até o dia 03/12 com a entrega do título de cidadão da cidade, ao cantor, apresentador e empresário Netinho de Paula.

Da Redacao