S. Paulo – Em artigo escrito a pedido de Afropress (veja, ao lado, na secção Colunistas), o advogado e ex-secretário de Justiça e Cidadania de S. Paulo, Hédio Silva Jr., alerta “para a necessidade de uma leitura detida do parecer (CNE/CEB 15/2010) e das normas que regem o funcionamento do CNE, “sob pena de cairmos na armadilha de uma visão fragmentada e leviana ou então tentarmos quixotescamente atribuir ao CNE uma responsabilidade que cabe aos sistemas de ensino como um todo”.
Segundo Hédio – que é uma das principais lideranças do Movimento Negro brasileiro – o Parecer CNE/CEB 06/2011, “corrobora o veto adotado pelo próprio PNBE proibindo a aquisição – para distribuição em escolas públicas – de qualquer obra que difunda estereótipos negativos contra negros e indígenas”.
“A versão atual do parecer é muito mais incisiva do que a anterior ao responsabilizar os protagonistas da gestão do ensino – em cumprimento da Constituição Federal, dos tratados internacionais ratificados pelo Brasil, da LDB e do Estatuto da Igualdade Racial – pela implementação de uma política educacional igualitária que inclusive selecione as obras literárias que circulam nos sistemas de ensino”, afirma.
Defesa
Hédio também saiu em defesa da relatora, professora Nilma Lino Gomes, lembrando que a “poderosa Globo irá produzir um desenho a partir da obra de Monteiro Lobato mas já fez questão de vir a público dizer que irá suprimir as partes “polêmicas” (sic) da obra”, segundo divulgou o Jornal Folha de S. Paulo, de 13 de março deste ano.
“A vitória da atuação da Profa. Nilma, portanto, não virá na homologação do parecer a ser feita pelo Ministro da Educação: a vitória, coletiva, já pode ser medida pelo impacto pedagógico e social de sua atuação serena e competente como conselheira do CNE”, conclui.

Da Redacao