Independente das posições políticas em nosso País, nossos jogadores são antes de tudo heróis da superação. Meninos, crescidos nas ruas, em péssimas condições de educação e acesso ao esporte e lazer, jogando peladas entre as horas de folga do trabalho duro, carregando tijolos, sacos de cimentos e comendo marmitex.

Já parei para pensar quantos deles concluíram o ensino médio ou se graduaram.

Infelizmente quando alcançam a fama tornam-se marionetes nas mãos daqueles que lucram com o consumismo desenfreado e, infelizmente, entram no jogo porque, para muitos de nós, o valor está em possuir carro zero, adquirir produtos de grife e fazer viagens internacionais.

Daí que cada um tem que sair do país para poder se achar merecedor da nossa admiração. Se encontram às vésperas da Copa em uma convocação sem tempo hábil para o entrosamento e, ao invés de treinos, gastam horas em estúdios para exibir comerciais e garantir o alto padrão de vida dos patrocinadores em merchandising.

Vão jogar e enriquecer, poucos, até não terem mais condições de fazê-lo.

Depois tornam-se críticos de si mesmos em troca de algumas horas nos canais de TV que recebem para exibir nosso vexame.

A consequência é essa: todos nós passamos vergonha, porque de uma forma ou de outra, ou por omissão, temos nossa parcela de responsabilidade.

Qualquer semelhança com o período de escravidão não é mera coincidência.

Conceição Domingos Vercesi