S. Paulo – O Hino à Negritude, de autoria do professor Eduardo de Oliveira, deverá ser cantado em todas as solenidades que envolvam a raça negra, segundo dispõe a Lei 14.472, fruto do PL 106/207, de autoria de todos os vereadores paulistanos, consolidando a legislação municipal sobre honrarias, símbolos da cidade de S. Paulo.
A Lei foi sancionada pelo prefeito Gilberto Kassab, em 10 de julho, e publicada no Diário Oficial da Cidade, edição de quarta-feira, dia 11 de julho, com a reprodução da letra do professor Eduardo de Oliveira e a partitura. Anteriormente à publicação, em eventos de entidades e organizações negras, como o Movimento Brasil Afirmativo e nas reuniões preparatórias para a Parada Negra, as reuniões eram abertas ou encerradas com o cântico do Hino. “Eu me sinto emocionado”, afirmou o professor Eduardo, que é presidente de honra do Congresso Nacional Afro-Brasileiro (CNAB), ao receber uma cópia do Diário Oficial.
Conheça o Hino à Negritude
I
Sob o céu cor de anil das Américas,
Hoje se erguem um soberbo perfil.
É uma imagem de luz
Que, em verdade, traduz
A História do Negro no Brasil,
Este povo, em passadas intrépidas,
Entre os povos valentes se impôs.
Com a fúria dos leões
Rebentando grilhões
Aos tiranos se contrapôs
II
Levantando no topo dos séculos
Mil batalhas viris sustentou,
Este povo imortal
Que não encontra rival,
Na trilha que o amor lhe destinou.
Belo e forte, na tez cor de ébano
Só lutando se sente feliz.
Brasileiro, de escol
Luta de sol a sol
Para o bem do nosso país.
III
Dos Palmares, os feitos históricos
São exemplos da eterna lição
Que, no solo tupi,
Nos legara Zumbi,
Sonhando com a libertação.
Sendo filhos, também da Mãe África,
Aruanda dos Deuses da Paz
No Brasil, este Axé
Que nos mantém de pé
Vem da força dos Orixás
IV
Que saibamos guardar estes símbolos
De um passado heróico labor
Todos, numa só voz,
Bradam nossos Avós
Viver é lutar com destemor
Para frente, marchemos impávidos
Que a vitória nos há de sorrir
Eis, pois, Cidadãos
Somos todos irmãos
Conquistando o melhor porvir.
Bis
Ergue a tocha do alto da glória
Quem, herói, nos combates, se fez
Pois, que as páginas da História,
São galardões aos negros de altivez.

Da Redacao