Rio – O jornaleiro negro Jonas Eduardo Santos de Souza, 34 anos, morto com um tiro no peito disparado por um segurança do Banco Itaú da Agência da Rua Nilo Peçanha, Centro do Rio, foi enterrado às 16 horas deste sábado (23/12) no Cemitério do Caju, no Rio.
O crime aconteceu na tarde de sexta-feira. Jonas era cliente do Banco há mais de 10 anos e foi assassinado com um tiro à queima roupa pelo segurança Natalício de Souza Marins após ter sido barrado na porta giratória do banco. O assassino, que também é negro, foi levado ao 5º DP, na Lapa, para depoimento e aguardará o julgamento em liberdade.
Tem sido frequentes os episódios envolvendo principalmente pessoas negras barradas nas portas giratórias de agências bancárias.
Josué Antônio Santos de Souza, irmão de Jonas, disse que o segurança tinha fama de truculento.
Testemunhas contaram que a vítima teria ficado irritado depois que o vigilante exigiu que retirasse o cinto na porta giratória. A entrada do banco só foi liberada depois que o gerente da agência pediu a Jonas que mostrasse o cartão do Itaú comprovando que era correntista.
De acordo com o empresário Alexandre Knoclsh, que esperava logo atrás da vítima, Jonas deixou tudo o que tinha na porta giratória. “Quando ele entrou, os dois discutiram, um apontou o dedo para a cara do outro, o segurança se exaltou e atirou.”
A promotora de vendas Rosa Maria de Souza também disse não ter visto briga. Cliente da agência, afirmou que Natalício era agressivo. “Ele exigia que as pessoas tirassem tudo da bolsa. Isso revoltava a todos.”
A família do jornaleiro ficou revoltada depois de tomar conhecimento que o vigilante responderá ao homicídio em liberdade. “Esse é o País que nós vivemos. Enquanto mãe
rouba pote de manteiga e é condenada, o assassino de trabalhador não fica preso um
dia”, disse o mecânico Josué Antonio Santos de Souza, 41, irmão de Jonas.
Na próxima quinta-feira, (28/12), às 13h, entidades do Movimento Negro carioca estão convocando manifestação na porta do Banco Itaú, na Avenida Rio Branco com Nilo Peçanha em protesto pela assassinato do jornaleiro.
A direção do Banco Itaú divulgou nota lamentando o episódio e dizendo que está empenhado “na assistência aos envolvidos e às autoridades na investigação”.

Da Redacao