Brasília – A audiência entre os donos do Hotel Bay Park e o Ministério Público de Brasília para assinatura de um Termo de Ajustamento de Conduta, em que o Hotel se compromete a coibir a prática do racismo, poderá acontecer ainda este ano, previu nesta sexta-feira, 02/12, o Ouvidor da Secretaria Especial de Políticas de Promoção da Igualdade Racial, Luiz Fernando Martins da Silva.
Segundo o Ouvidor, que acompanha o caso desde o registro da queixa na 2ª Delegacia de Brasília, a tendência é pela assinatura do Termo, porém, caso não se chegue a um acordo, o caso irá para a Justiça. “Temos o indicativo de uma capacitação com abrangência nacional de combate ao racismo institucional. O Termo é o melhor caminho para se evitar uma ação judicial e construir uma mudança de práticas discriminatórias no comércio e prestação de serviços na área do turismo”, afirmou Luiz Fernando.
Na última audiência, os dirigentes da Associação Brasileira das Indústrias de Hotéis fizeram uma “mea culpa”. “Somos empresários e precisamos de orientação para tratar dessa questão. Entendemos a necessidade de uma mudança comportamental que só virá através de uma conscientização da sociedade ainda mais que metade da população é afrodescendente”, afirmou o presidente da Associação dos Hotéis de Brasília, Tomás Ikeda.
O caso Bay Park, como ficou conhecido, foi o episódio de racismo praticado pelos donos do Hotel contra centenas de delegados à Conferência Nacional de Promoção da Igualdade Racial realizada entre os dias 30 de junho e 02 de julho deste ano, em Brasília. Ao chegarem aos apartamentos os delegados constataram que todos os rádios tinham sido retirados e guardados. Além disso foram discriminados nos serviços, segundo contou à época, o jornalista Gerson Pedro, dirigente da ANID – Ação Negra de Integração e Desenvolvimento, entidade de Barueri, cidade da região metropolitana da Grande S. Paulo, um dos hóspedes.
A Procuradora distrital dos Direitos do Cidadão do Ministério Público de Brasília, Ruth Pereira, convidou as Polícias Militar e Civil para integrar uma Comissão, que também é formada pela Associação Brasileira das Indústrias de Hotéis (ABIH), Hotel Nacional, Bay Park e Seppir. Para a procuradora a “a presença das corporações é fundamental”. “São elas que fazem o registro dos boletins de ocorrência e instauram inquéritos. Queremos que os vícios como tratamento inferior às denúncias de discriminação racial sejam minimizados”, afirmou.
Na época, ao procurarem a Delegacia, as vítimas tiveram o pedido rejeitado pelo delegado de Plantão. Foi necessário a intervenção da Ouvidoria da Seppir e de assessores do Conselho Nacional contra a Discriminação do Ministério da Justiça para que o crime de racismo fôsse registrado.
Associação de Hotéis dispõe de uma verba de 4 milhões, assegurada através de convênio com o Ministério do Turismo, desde setembro, para capacitação de funcionários do setor hoteleiro em atendimento diversificado e, segundo, seus dirigentes tem interesse em incorporar no programa a temática racial. “Infelizmente esses episódios tiveram de acontecer para que pudéssemos ter essas conseqüências positivas”, explica Tomaz Ikeda.
O gerente-geral do Hotel Nacional, Mauro Jucá de Queiroz, também penitenciou-se por práticas racistas já denunciadas no estabelecimento e disse que tem interesse em entrar em acordo com a Justiça. “Temos a posição de colaborar integralmente à proposta da ABIH porque percebemos a importância de um tratamento igualitário a todas as pessoas”, afirma.

Da Redacao